“É urgente andar para a frente com a Barragem do Pisão. Creio que já está pelo próprio Ministério do Ambiente aceite que será um investimento prioritário para os próximos tempos, mas queremos mais”, declarou o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, em declarações aos jornalistas, em Portalegre.

Falando após uma reunião do Conselho Consultivo do Alto Alentejo da CAP, o responsável defendeu que a “vontade” do Governo em relação aos investimentos associados à criação de reservas estratégias de água tem também de ser “prolongada” a outras regiões do país.

“Se queremos trazer pessoas para o interior, temos de lhes proporcionar condições para desenvolver a economia. Não é a paisagem simplesmente que vai atrair pessoas”, afirmou.

Eduardo Oliveira e Sousa alertou que, caso não seja feita uma “aposta séria” na construção de barragens no interior, em particular a do Pisão, “não há alternativa” à “fraca” economia que está presente nesses territórios.

“Numa região com esta [Portalegre], em que a indústria é escassa e a economia está fortemente afetada pelas consequências das alterações climáticas, se não houver uma aposta séria em barragens não há alternativa à fraca economia que está presente no território", disse.

Como consequência, alertou, há "maior desertificação, mais abandono e atrás veem outros problemas, como sejam os fogos florestais e uma maior libertação de carbono para a atmosfera”.

Por isso, o presidente da CAP insistiu que a construção da Barragem do Pisão poderia ser uma “lufada de ar fresco” e uma “alternativa” ao desenvolvimento do Alto Alentejo.

O projeto hidroagrícola de fins múltiplos, que prevê à submersão da pequena aldeia do Pisão, com 60 habitantes, foi recentemente alvo de um estudo da Associação de Produtores Agrícolas de Precisão e que foi apresentado ao Governo.

Segundo o estudo, a que a Lusa teve acesso, a obra deverá ter um custo total de 100 milhões de euros, cinco milhões dos quais para o projeto de execução e 10 milhões para o realojamento dos habitantes da aldeia de Pisão.

O estudo prevê ainda 35 milhões de euros para a construção da barragem e 50 milhões para a rede de rega.

Já a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) prevê que a barragem possa ter uma capacidade para 114 milhões de metros cúbicos de água, podendo, além de reforçar a Barragem de Póvoa e Meadas, garantir o subsistema do Caia, que abastece os concelhos de Arronches, Elvas, Campo Maior e Monforte.

Os 9.500 hectares de regadio serviriam os campos agrícolas dos concelhos de Alter do Chão, Avis, Crato e Fronteira, podendo, neste setor, serem criados “500 postos de trabalho” diretos, segundo os autarcas.

A Barragem do Pisão já foi anunciada por três primeiros-ministros, Mário Soares, António Guterres e Durão Barroso, mas continua por construir, sendo considerada por diferentes entidades da região como um projeto “estruturante” para o desenvolvimento do distrito de Portalegre.

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