“Tem o meu total apoio, independentemente daquilo que ele escrever”, afirmou Cavaco Silva numa entrevista hoje à rádio TSF a propósito do seu segundo livro de memórias.

Passos Coelho considerou que o segundo livro de memórias de Cavaco Silva dá uma “contribuição muitíssimo relevante” para o entendimento dos tempos da ‘troika’, mas admitiu que o livro “não diz tudo”, prometendo “dizer e juntar” muitas coisas no livro que está a escrever.

Numa reação às declarações de Passos Coelho, Cavaco Silva responde: “Logo no início desta entrevista eu critiquei a má tradição em Portugal de os políticos não prestarem contas por aquilo que fazem”.

“Se Passos Coelho fizer isso tem o meu total apoio, independentemente do que ele escrever… tal como aquilo que eu conto – que foi o que se passou, são os factos - deve estar lá para que os portugueses saibam como atua o Presidente da República, independentemente de gostarmos ou não gostarmos do que está lá”, afirmou.

Sobre as críticas, vindas sobretudo do Partido Socialista, à falta de sentido de Estado do ex-Presidente da República, Cavaco responde: "De alguma forma já esperava".

Na entrevista, Cavaco sublinha igualmente que ao escrever o seu segundo livro de memórias sobre o tempo em que esteve no Palácio de Belém deixou de lado “tudo o que era m questões pessoais” e “tudo o que podia ferir o superior interesse nacional”.

O ex-Presidente da República disse ainda que comprovou o que achava desde o início do Governo liderado por António Costa: "A ideologia acabaria por ser derrotada pela realidade, na parte económica, que é a grande parte imposta a Portugal vinda da interdependência dos países membros da zona euro".

"Nunca que pensei que o Bloco de Esquerda e o PCP se curvassem a essa realidade com tanta facilidade", afirmou, sublinhando que os dois partidos acabaram por aceitar "o que criticavam com tanta violência no governo de Passos Coelho", dando como exemplo o défice.

"O que disseram quando o Governo [de Passos Coelho] tentava reduzir (…), agora aceitam a imposição do ministro das Finanças para respeitar o que ele procura impor no Eurogrupo aos outros países nos mais variados domínios fiscais", afirmou.

Sobre política internacional, Cavaco Silva assume que "os populismos estão na moda", mas sublinha que "não esperava que países europeus tivessem estas inclinações, populistas e xenófobas".

"Quando vejo a situação em Itália, na Hungria e na Polónia… eram coisas que pensava que não aconteceriam", disse.

Sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, Cavaco afirma: "O que se passa nos Estados Unidos ultrapassa a minha capacidade de raciocínio com alguma racionalidade. Continuo a interrogar-me como foi possível eleger um presidente que despacha o ministro dos Negócios Estrangeiros pelo 'twitter'".

(Notícia atualizada às 10h19)

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