Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que "têm de existir medidas mais restritivas, sobretudo em Lisboa e Vale do Tejo, para impedir que se acentue uma situação epidemiológica de descontrolo", mas remeteu para o Governo as soluções em concreto a adotar.

O presidente do CDS-PP deu como um exemplo de "sinais contraditórios e duplos critérios" por parte do Governo a decisão de "limitar, e bem, a concentração de pessoas e, ao mesmo tempo, autorizar manifestações de largas centenas onde as regras de segurança não são cumpridas".

Questionado, em seguida, se entende que se deveria limitar o direito de manifestação e como é que isso poderia ser feito, tratando-se de um direito constitucionalmente garantido, Francisco Rodrigues dos Santos respondeu: "Essa é uma resposta que o Governo naturalmente terá de dar".

"Eu não estou a dizer que se deve limitar o direito de manifestação. Eu estou a dizer que, ao mesmo tempo que se limita a concentração de pessoas até às dez, não se pode autorizar manifestações onde essas mesmas regras não são aplicadas e onde se verifica que os comportamentos de saúde pública não se encontram plasmados", reiterou, sem adiantar quais as normas que no seu entender deveriam vigorar.

Francisco Rodrigues dos Santos, que falava após uma reunião com o Presidente da República, que está a ouvir os partidos políticos entre hoje e terça-feira, centrou a sua mensagem na situação sanitária do país, acusando o Governo de transmitir "sinais contraditórios e duplos critérios que as pessoas não compreendem" que provocaram uma "confusão e baralhação".

O presidente do CDS-PP apontou como outros exemplos de incoerência "autorizar espetáculos no Campo Pequeno, quando na mesma praça não são permitidas corridas de touros", e declarar que "não existe mais dinheiro para apoiar as famílias e as empresas e, ao mesmo tempo, aparecerem sempre novas verbas para injetar no Novo Banco".

"E o Governo não se pode congratular com a receção da fase final da Liga dos Campeões e dizer que isto é um prémio para os profissionais de saúde, quando está a disputar a liga dos últimos ao nível do controlo das infeções por covid-19", considerou, referindo-se à cerimónia realizada na semana passada no Palácio de Belém, em Lisboa, em que discursaram, entre outros, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, António Costa.

Criticando o "aparato mediático, até carnavalesco" dessa cerimónia, Francisco Rodrigues dos Santos acrescentou: "Estamos a disputar a liga dos últimos no combate à covid-19 e foi chumbada no parlamento uma proposta que visava um suplemento, um prémio aos profissionais de saúde que estiveram envolvidos no combate à covid-19, uma proposta do CDS-PP".

O presidente dos democratas-cristãos pediu ao Governo coerência na mensagem e nas regras de saúde pública, e "que se compreenda que existe uma punição" se forem desrespeitadas.

De acordo com o relatório de hoje da Direção-Geral da Saúde (DGS), desde domingo registaram-se mais quatro mortes com covid-19 e mais 259 infetados, a maioria na Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde tem surgido a maioria dos novos casos.

Em Portugal, os primeiros casos desta doença provocada por um novo coronavírus foram confirmados no dia 02 de março e já morreram 1.534 pessoas num total de 39.392 pessoas contabilizadas como infetadas.

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