“Não se pode aceitar que tenham passado estes anos todos, incluindo o mandato atual, sem uma solução à vista. Quando houve a possibilidade de o executivo de Rui Moreira/PS/CDS resolver o problema, devido ao incumprimento do Fundo [Imobiliário, criado em 2009 para demolir o bairro do Aleixo], o que fizeram foi resolver o problema do Fundo, e os moradores ficaram esquecidos e abandonados, perante a degradação cada vez maior da zona e do apoio social”, afirmou Ilda Figueiredo, em declarações à Lusa após uma visita ao bairro.

De acordo com a candidata, “cerca de 100 famílias” residem atualmente no bairro onde duas das cinco torres de 13 andares foram demolidas durante o mandato de Rui Rio (PSD), num “ambiente inteiramente degradado, completamente ocupado com o negócio da droga e do seu consumo às claras”, vivendo em prédios “com inúmeros fogos abandonados”, através dos quais “se infiltram águas e humidades em casas habitadas”.

Em fevereiro de 2015, a Câmara do Porto anunciou que a Mota Engil era o novo parceiro privado do fundo criado para demolir o bairro, assegurando uma injeção de dois milhões de euros necessários para fazer avançar o processo que estava suspenso desde abril de 2014.

Em 18 maio, o independente Rui Moreira apontou para o “próximo mandato” novas demolições no Aleixo, assegurando que apenas permitiria novas implosões depois de o Fundo concluir as casas para realojar os moradores.

Para a CDU, “numa prova de insensibilidade social e de vergonhosa incoerência do PS (que detém o Pelouro da Habitação e Ação Social), a atual maioria camarária apenas se preocupou em salvar o fundo imobiliário e substituir os antigos parceiros por um novo grupo económico privado”.

“A CDU sempre foi contra este negócio imobiliário, defendendo, no mesmo local, a construção nova e equipamentos sociais, que são outra área em que a cidade é muito carente”, alertou Ilda Figueiredo.

“Esperava-se que Rui Moreira, para mais com o apoio do PS que, entretanto, tinha mudado de opinião opondo-se à demolição do bairro, revertesse este processo. Situação que ainda mais se justificava pelo facto de, na sequência de uma auditoria efetuada ao Fundo Imobiliário, se ter confirmando que o mesmo deixara há muito de cumprir com as suas obrigações contratuais”, criticam os comunistas.

A candidata da CDU diz ter detetado, durante a visita, que “alguns moradores do bairro do Aleixo foram vítimas dos aumentos abruptos e exagerados de renda” por parte da Câmara do Porto.

“Há casos de aumentos superiores a 100% e a mesma insensibilidade e falta de atenção às pessoas que vivem em condições degradantes”, afirmou.

Para Ilda Figueiredo, a Câmara “esquece-se dos moradores do bairro do Aleixo para tudo, exceto para aumentar as rendas”.

“Nunca pensei que Manuel Pizarro [do PS, vereador da Habitação e Ação Social] tivesse a ousadia de castigar os moradores do Aleixo com aumentos de renda”, lamentou a comunista.

De acordo com a candidata, os moradores que viram as rendas aumentadas “dizem que não aumentaram os seus rendimentos”.

“Isto é da exclusiva responsabilidade política da autarquia. O resto são desculpas”, notou.

A Câmara do Porto começou a aplicar a nova Lei do Arrendamento Apoiado no início de abril e, de acordo com esclarecimentos dados no dia 7 de abril à Lusa pelo gabinete de comunicação, “mais de 3.400 famílias” viram naquele mês “as suas rendas baixar”, ao passo que “mais de 2.400 mantêm o valor que pagavam e cerca de 5 mil viram as rendas aumentar ligeiramente”, entre “os zero e os quatro euros”.

Numa reunião do executivo, Manuel Pizarro afirmou que, “dos 5.716 agregados que viram a renda aumentar” a maioria está compreendida entre os zero e os quatro euros de aumento”, e “tudo o resto resulta de aumentos de rendimento”.

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