Do total de 83 funcionários que laboravam diretamente na central a carvão do Pego, há registo de 20 saídas até novembro por acordo, 28 saídas em dezembro por despedimento coletivo e de mais 4 trabalhadores também em dezembro (três que decidiram não recorrer ao programa de formação via Fundo Ambiental e um outro que viu o processo recusado), estando neste momento 31 pessoas ainda em funções na central da Tejo Energia e que aguardam pelo resultado do concurso de atribuição do ponto de injeção para conhecerem o seu futuro laboral.

Os números foram hoje confirmados à Lusa pela Tejo Energia SA, proprietária da Central Termoelétrica do Pego, cuja central a carvão instalada em Abrantes, no distrito de Santarém, encerrou em 30 de novembro de 2021, tendo o Governo decidido abrir um concurso para a reconversão daquele equipamento e ao qual concorreram seis empresas.

A integração, mediante condições salariais equivalentes, dos trabalhadores afetos à atividade da Central Termoelétrica a carvão do Pego, no momento do término da sua atividade, nos postos de trabalho permanentes criados é um dos critérios de majoração das propostas a concurso, segundo o programa do procedimento, sendo que em setembro de 2021 tinha 83 trabalhadores.

De acordo com o relatório final do “Estudo de requalificação e identificação de oportunidade de emprego dos trabalhadores afetados pelo fim da produção de eletricidade a partir de carvão nas centrais do Pego e de Sines” realizado pelo ISCTE — IUL, datado de setembro de 2021, a distribuição dos níveis de qualificação apontam para uma força laboral bastante qualificada, onde predominam os trabalhadores com o ensino secundário, seguidos dos trabalhadores com qualificações de ensino superior e dos trabalhadores com o ensino básico,sendo as profissões técnicas mais representadas as seguintes: engenheiro; operador de condução de centrais térmicas, supervisor de condução de centrais térmicas e técnico de condução de centrais térmicas.

Segundo dados fornecidos à Lusa pelo Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas (SIESI), da CGTP-IN, do total de 173 trabalhadores da central a carvão, entre diretos e indiretos, estarão “entre 75 e 80 em formação, divididos por quatro turmas”, no âmbito de um processo de formação e requalificação profissional cujo subsídio pela sua frequência o Governo se comprometeu a complementar até à totalidade dos ordenados de cada trabalhador.

O processo é válido até ao final do presente ano 2022, mantendo-se a “incógnita sobre o futuro dos 31 trabalhadores que continuam na central, caso não seja o projeto da Tejo Energia o vencedor do concurso”, estando, entre eles, “quadros técnicos, operadores de produção em fase de acompanhamento do descomissionamento do equipamento ou para atuar na reconversão da central, administrativas, e alguns ligados a outros serviços de apoio”.

As “dúvidas também se estendem aos elementos que estão em formação”, cujos módulos mereceram reservas por parte de Luís Santos, coordenador do SIESI.

“Aquelas preocupações que nós tínhamos de que estas formações não eram adequadas para a integração de nada mantêm-se, porque os trabalhadores que estão a fazer formações, uns de informática, outros de não sei quê, não nos parece que seja para integrar em nenhuma empresa, uma vez esta formação não é direcionada e vamos ver se em dezembro não temos aqui mais uma mão cheia de despedimentos”, afirmou.

O dirigente sindical, além de “lamentar a situação vivida pelos trabalhadores, alguns com vida estabilizada e outros ainda com um futuro de 15 a 20 anos de carreira”, criticou ainda o fecho das centrais a carvão em Portugal, tendo feito notar que “todo este processo das energias renováveis seria também com a intenção de baixar o custo da energia” e que “não é nada disso está a acontecer, antes pelo contrário”, com o preço da energia a aumentar.

O prazo para os concorrentes ao ponto de ligação à rede elétrica da central do Pego se pronunciarem sobre a decisão preliminar, que põe a Endesa à frente e que terminaria no dia 11 de fevereiro, às 23:59, foi prorrogado por mais 10 dias úteis, segundo despacho do Governo.

“Face à elevada complexidade das matérias e da avaliação em causa, e por forma a permitir que todos os concorrentes possam, de forma fundamentada e ponderada, pronunciar-se relativamente ao relatório preliminar do Júri do Procedimento, considera-se justificada a concessão de um prazo mais alargado do que o proposto”, lê-se num despacho assinado pelo secretário de Estado adjunto e da Energia, João Galamba, publicado na quinta-feira.

Assim, o prazo foi alargado “até às 23:59 do dia 25 de fevereiro”.

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