Anunciada para o final da tarde, a reunião dos sindicalistas e dos representantes dos trabalhadores com a advogada da proprietária, Mónica Ferreirinha, acabou por não acontecer, ficando as partes de voltar a falar na quarta-feira para encontrar uma hora para reunir.

O coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte, Nuno Coelho disse à Lusa que em face da reunião que não aconteceu “os trabalhadores irão manter-se nas instalações e vigilantes durante a noite” para dessa forma “evitar que volte a acontecer a tentativa de retirada do material da cervejaria”.

Em causa, lembrou Nuno Coelho, está a falta de “uma solução para o pagamento do subsídio de Natal de 2018 e da segunda tranche do salário deste mês” pela proprietária Delfina Amaral.

Pelas 18:00, hora prevista para a reunião de hoje, a cervejaria funcionava normalmente, servindo refeições a cerca de dezena de clientes que estavam no seu interior, nada indicando que na noite anterior uma parte do equipamento, como denunciou através de fotografias à Lusa o coordenador sindical, “estava pronto para ser retirado da cervejaria ao mesmo tempo que a proprietária tentou mudar a fechadura da porta do estabelecimento”.

No passado sábado, "todos os 25 trabalhadores" da cervejaria cumpriram um dia de greve em protesto contra os atrasos nos pagamentos das remunerações.

O principal motivo da greve deveu-se ao facto de a empresa “não ter cumprido o acordo de pagar em julho o subsídio de Natal, decidido numa reunião no Ministério do Trabalho, nem, depois, em outubro, como posteriormente ficou combinado”.

“Mas também pretendemos protestar porque os vencimentos mensais estão a ser pagos ultimamente em duas ou três parcelas mensais, além de que os salários estão congelados há uma década”, afirmou o sindicalista.

Depois de “a gerência ter deixado ao abandono o restaurante", há quatro anos, a empresa entrou em dificuldades e as dívidas ao Fisco e à Segurança Social “chegaram aos dois milhões de euros", sublinhou o sindicalista.

A tentativa de resolver o problema passou pelo recurso a um Processo Especial de Revitalização (PER), aceite pelo Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia, e pela chegada de um gestor.

“O problema é que as suas decisões não ajudam em nada à viabilização da casa”, sublinhou.

Fundada a 29 de julho de 1972, a cervejaria detida pela empresa Atividades Hoteleiras da Galiza Portuense é “uma das referências do Porto no setor da restauração”, mas, ao ter alterado “para pior produtos e serviços”, colocou “em causa a qualidade e diversidade do serviço, o que levou ao afastamento de clientes importantes da casa”, figuras “de grande relevância nacional ligada à política, artes e desporto”, referiu o sindicato, num comunicado.

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