A declaração de vitória surgiu depois da atualização das contagens no estado da Pensilvânia, decisivo para as contas finais. Com a vitória neste estado, Joe Biden alcançou 273 votos no Colégio Eleitoral, enquanto Donald Trump contabilizava 214. Recorde-se que são necessários 270, no mínimo, para ganhar a presidência.

As primeiras palavras do Presidente eleito chegaram via Twitter. "América, sinto-me honrado por me terem escolhido para liderar o nosso grande país. O trabalho à nossa frente será difícil, mas prometo-vos isto: eu serei o Presidente de todos os americanos - tenham votado em mim ou não. Manterei a fé que depositaram em mim", escreveu.

Minutos depois, os media norte-americanos divulgavam um comunicado assinado pelo democrata. "Sinto-me honrado pela confiança que o povo americano depositou em mim e na vice-presidente eleita Harris", voltou a sublinhar.

"Perante obstáculos sem precedentes, um número recorde de americanos votou. Provando uma vez mais que a democracia bate no fundo do coração da América", declarou.

"Com a campanha terminada, é tempo de pôr a raiva e a retórica dura para trás e de nos unirmos como uma nação. É tempo de a América se unir. E curar-se. Somos os Estados Unidos da América. E não há nada que não possamos fazer se o fizermos juntos", pode ainda ler-se.

Ao longo dos últimos dias, os olhos do mundo estiveram postos nos Estados Unidos da América (EUA), numa interminável noite eleitoral.

Dia 3 de novembro, os norte-americanos votaram em massa para escolher o novo presidente (e um recorde de 100 milhões de eleitores votaram antecipadamente).

De um lado, Donald Trump, presidente nos últimos quatro anos e candidato pelo partido Republicano; do outro, Joe Biden, candidato democrata e ex-vice-presidente de Barack Obama.

Joseph R. Biden, de 77 anos, é agora o 46.º Presidente dos Estados Unidos da América, o mais velho de sempre a entrar na Casa Branca.

Ao seu lado terá Kamala Harris. A agora vice-presidente é a primeira mulher a ocupar ao cargo. Harris, de 55 anos, senadora pelo estado da Califórnia e procuradora-geral do mesmo estado, foi uma das rivais de Joe Biden nas primárias, mas desistiu da corrida e declarou publicamente o seu apoio ao agora presidente.

Trump é o primeiro Presidente em funções a perder a reeleição desde George H.W. Bush em 1992.

À terceira foi de vez

Biden chegou à nomeação presidencial pelos democratas em 2020 depois de duas tentativas falhadas no passado, uma em 1988 e outra em 2008. O candidato mais velho de sempre à presidência dos Estados Unidos, Joseph R. Biden, apresenta também um dos currículos mais extensos na política do país, onde entrou quando tinha apenas 30 anos.

Com uma carreira repleta de gafes e posições que foram evoluindo, Biden ocupou sempre um lugar no centro moderado do partido Democrata, tendo sido essa a bandeira que desfraldou na sua campanha pela nomeação, em 2019.

Ainda assim, o veterano conseguiu o apoio da ala mais progressista do partido, e notoriamente de Bernie Sanders, que desistiu da nomeação em prol do ex-vice-presidente.

Biden foi o número dois de Obama durante dois mandatos (2008 e 2012). O seu conhecimento do meio e a relação pessoal com numerosas figuras destacadas, além da sua experiência em política nacional, permitiram-lhe ter um papel excecional como assessor e conselheiro do Presidente, com quem estabeleceu uma sólida aliança.

Na candidatura de Obama, o "Middle Class Joe" (Joe da Classe Média) foi chamado para ajudar a conquistar um grupo que se provava mais resistente a Barack, os "blue-collar" brancos, ou seja, trabalhadores das indústrias e serviços.

Joseph Robinette Biden Jr. nasceu a 20 de novembro de 1942 em Scranton (Estado de Pensilvânia). É o mais velho de quatro irmãos de uma família católica humilde, o pai era vendedor de automóveis, o que o aproxima dos eleitores brancos da classe trabalhadora.

Depois de se licenciar na Universidade de Delaware e na Escola de Direito de Syracuse, aos 29 anos converteu-se num dos senadores mais jovens dos Estados Unidos. Biden adotou Delaware como sua casa quando se mudou para lá com a família em 1953.

Antes disso, um jovem Biden formado em história e ciência política na Universidade de Delaware e depois em direito na Universidade de Syracuse tinha exercido advocacia durante três anos. Já nessa altura a sua ambição era chegar à presidência.

Mas o seu percurso profissional foi afetado pela tragédia pessoal, quando a então sua mulher, Neilia Hunter, e a filha de um ano morreram num acidente de automóvel, apenas semanas após a eleição para o Senado. Os outros dois filhos, Beau e Hunter, ficaram feridos mas sobreviveram.

Cinco anos depois, Joe Biden casou com Jill Jacobs e o casal teve uma filha em 1981, o que permitiu ao político recuperar a estabilidade pessoal.

créditos: ROBERTO SCHMIDT / AFP

Durante o seu percurso no Senado, Biden tornou-se conhecido por usar os comboios Amtrak como meio de transporte até ao Capitólio.

Condecorado em 2017 com a Medalha Presidencial da Liberdade, com Distinção, o maior grau de distinção civil, Biden é responsável pela criação da Fundação Biden, o Centro Biden de Diplomacia da Universidade de Pensilvânia, a Iniciativa Biden para o Cancro e o Instituto Biden da Universidade de Delaware.

Várias destas iniciativas estão ligadas a outra tragédia pessoal, depois de o seu filho mais velho, Beau, ter morrido de cancro no cérebro em 2015, aos 45 anos.

O próprio Biden sofreu dois aneurismas nos anos oitenta e teve de ser operado ao cérebro.

Uma eleição atribulada

Trump tem uma bateria de centenas de juristas a colocar várias ações judiciais em diferentes estados, para tentar impugnar o processo eleitoral. Donald Trump tinha avisado na noite eleitoral que iria recorrer ao Supremo Tribunal para contestar o resultado das eleições.

Os democratas acreditam que as queixas são infundadas, mas dependendo das decisões de vários juízes estaduais e municipais, os recursos podem atrasar a formalização dos resultados, por dias ou semanas.

As sondagens foram dando vantagem a Joe Biden nos últimos meses, mas a experiência de 2016 deixou marcas e ninguém queria avançar com certezas sobre vencedores antes do tempo este ano - em 2016, Hillary Clinton era dada como vencedora certa nas sondagens, mas os resultados acabaram por surpreender, dando a vitória a Trump.

Embora alguns resultados tenham sido fechados na noite eleitoral, os números não foram suficientes para declarar um vencedor nessa altura.

Os EUA tiveram de esperar quatro dias pelas contagens dos últimos estados-chave. Até este sábado, estavam por apurar os resultados no Nevada, Pensilvânia, Arizona, Geórgia e Carolina do Norte - no Alasca também, mas este não é um estado-chave, sendo praticamente segura a vitória republicana.

Nos últimos dias, protestos pela contagem de votos levaram apoiantes de Trump e de Biden às ruas nos EUA. Enquanto nalguns casos, os seguidores de Trump exigiam o fim da contagem dos votos enviados pelo correio, que favoreceriam o candidato democrata Joe Biden, milhares de manifestantes, de Nova Iorque a Seattle, exigiam que todos os boletins fossem contados.

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