A cimeira sobre as Alterações Climáticas (COP25), que se vai realizar de 2 a 13 de dezembro, foi transferida de urgência, a 1 de novembro para Madrid, depois de o Chile ter anunciado que renunciava à sua organização, devido a um movimento de contestação social sem precedentes no país.

A transferência foi proposta pelo chefe do governo socialista espanhol, Pedro Sánchez, para "garantir" a realização do encontro, apesar do enorme desafio logístico que isso implicava: preparar em apenas um mês um evento que vai reunir 25.000 participantes de cerca de 200 países, entre diplomatas, ONG (organizações não governamentais) e cientistas.

O Governo espanhol, muito pressionado pelo tempo, fez uma estimava inicial de 60 milhões de euros necessários para montar a reunião. Entretanto, o custo foi revisto em baixa, para 50 milhões de euros, anunciou esta semana a ministra em funções para a Transição Ecológica, Teresa Ribera, a principal responsável pela organização da conferência que continuará a ser presidida pelo Chile.

"Madrid está em condições, e em tempo recorde (...), de ser o centro do mundo", disse o presidente de direita da câmara municipal de Madrid, José Luís Martinez Almeida, que assegurou que os "serviços públicos e infraestruturas" da cidade estariam à altura do desafio.

Os "retornos" ou repercussões económicas da própria cimeira estão estimados em 200 milhões de euros, tomando como referência o impacto da realização da conferência e os dados de despesas médias de cada visitante internacional neste tipo de eventos (alimentação, alojamento, transporte, entre outros).

A cimeira vai ter lugar no centro de congressos da Ifema (Feira Internacional de Madrid), que anualmente acolhe grandes mostras conhecidas mundialmente, como a FITUR (turismo), a ARCO Madrid (cultura), Fruit Attraction (frutas e flores), entre muitas outras.

Segundo dados distribuídos pelo Ministério de Transição Ecológica espanhol, atualmente cerca de 1500 pessoas estão a trabalhar na instalação da COP25 na Ifema, estando prevista a contratação de 300 pessoas para dar apoio direto à organização da ONU (Nações Unidos), e cerca de 2.000 voluntários irão trabalhar diariamente durante os dias da cimeira.

A COP25 vai ocupar sete pavilhões da Ifema com cerca de 100.000 metros quadrados, e outros 13.000 metros quadrados em salas de reuniões, escritórios e centros de convenções, esperando-se que participem 25.000 pessoas na conferência, assim como 1.500 jornalistas.

Haverá uma “Zona Azul”, um espaço administrado pelas Nações Unidas onde terão lugar as sessões de negociação da COP25, a décima quinta reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP15) e a segunda reunião das Partes no Acordo de Paris (CMA 2), bem como eventos e eventos paralelos da agenda oficial das Nações Unidas.

Nesta área irá decorrer a negociação multilateral propriamente dita, com dois plenários, as salas de negociação e as salas e pavilhões das delegações, onde estará a delegação oficial portuguesa e onde, portanto, se concentrarão os líderes mundiais.

O outro espaço será a “Zona Verde”, dedicada à "Agenda Global de Ação Climática" e onde serão realizados os eventos centrados nas ONG, com conferências temáticas.

Esta área inclui uma área mais dinâmica conhecida como "Centro de Ação" (“Action Hub”), com duas salas para realizar as mesas redondas e eventos previstos nesta agenda.

Como medida para aumentar a segurança, será instalada uma esquadra da polícia num dos pavilhões, a fim de facilitar aos participantes a comunicação de incidentes ou mesmo a denúncia no caso de haver vítimas de roubos.

A última COP foi na Polónia, esta deveria ter sido no Brasil, depois Chile, e acabou em Espanha

A cimeira sobre Alterações Climáticas realiza-se anualmente numa região diferente do mundo, tendo calhado desta vez à América Latina a sua organização, depois da última vez ter tido lugar no leste Europeu, mais precisamente na Polónia.

Inicialmente a conferência deveria ter-se realizado no Brasil, mas, acabado de ser eleito Presidente, Jair Bolsonaro renunciou em novembro de 2018 à sua organização devido a “restrições fiscais e orçamentais”, tendo o Chile assumido a presidência do evento.

A jovem ativista ambiental sueca Greta Thunberg cruzou o Atlântico de barco para participar numa cimeira prévia da ONU em Nova Iorque (convocada pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em setembro passado) e na COP25 no Chile, mas a alteração inesperada do local obrigou-a a voltar a embarcar, desta vez num catamarã, para fazer a viagem ao contrário e chegar a tempo a Madrid, sem ter de apanhar um avião.

Thunberga deverá desembarcar em Lisboa durante a primeira semana da conferência e viajar em seguida para a capital espanhola a tempo de participar nalguns dos eventos previstos ao longo de 10 dias.

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