Em declarações à agência Lusa sobre qual será a posição do partido no parlamento caso o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decida declarar o estado de emergência, Pedro Filipe Soares começou por afirmar que o BE acompanha a situação e percebe que, sendo dinâmica, "poderá levar a outras tomadas de decisão mais à frente".

"Cá estaremos para as avaliar no seu devido momento, mas não podemos - ninguém pode neste momento - fechar a porta a qualquer medida que possa ser tomada no futuro porque percebemos que se à data de hoje, à hora que estamos a falar, as medidas tomadas têm sido as devidas, ninguém pode garantir que amanhã depois de amanhã no final da semana não haja mais medidas ou outras necessidades", explicou.

Na perspetiva do dirigente e deputado do BE, "de forma séria e clara ninguém pode negar que essas medidas não sejam necessárias".

"E o Bloco de Esquerda, reconhecendo a gravidade da situação que nós estamos a enfrentar, realçando esse sentido de civismo e solidariedade, também não pode deixar de reconhecer que podem ser necessárias outras medidas e cá estaremos para as acompanhar", garantiu.

Pedro Filipe Soares começou por "realçar o espírito de civismo e de solidariedade que está a perpassar o país", considerando que, "com raríssimas exceções", é percetível que "os portugueses e portuguesas estão a perceber a gravidade da situação" da pandemia do novo coronavírus.

"A segunda nota é para acompanhar o Governo nas medidas que têm levado a cabo. Têm sido importantes e percebemos que têm sido dinâmicas também e que continuarão a ser dinâmicas a cada momento", destacou.

Percebendo "a evolução que é previsível dos dados que são conhecidos da economia, percebendo as consequências que isso terá na sociedade como um todo", o BE compreende que "há medidas que podem ser tomadas nos próximos dias", as quais o partido acompanhará.

"O civismo que foi demonstrado nos últimos dias é de realçar porque mostra que não foi preciso recorrer a situações de restrição de liberdades para que as pessoas pudessem responder de forma séria e de forma estruturada a esta pandemia, mas sabemos que o tempo traz também um cansaço e um desgaste que tem que ter uma resposta ao longo desse período, para garantir que as medidas mantenham a sua eficácia e por isso nós acompanhamos a situação e percebemos que, sendo dinâmica, poderá levar a outras tomadas de decisão mais à frente", admitiu.

Pedro Filipe Soares advertiu, no entanto, que "dentro do quadro das medidas tomadas atualmente há exemplos que poderiam e deveriam ser diferentes", como o caso de algumas lojas dos centros comerciais, nos quais trabalhadores se manifestaram para que estas encerrassem.

"O que se está também a pedir é que serviços supérfluos não existam neste contexto", apontou, dando o exemplo de lojas de relógios ou de perfumes que "não são serviços essenciais" num momento de pandemia.

O coronavírus responsável pela pandemia da Covid-19 infetou cerca de 170 mil pessoas, das quais 6.500 morreram.

Portugal registou hoje a primeira morte, anunciou a ministra da Saúde, Marta Temido.

Trata-se de um homem de 80 anos, com "várias patologias associadas" que estava internado há vários dias no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, disse a ministra, que transmitiu as condolências à família e amigos.

Há 331 pessoas infetadas até hoje, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Dos casos confirmados, 192 estão a recuperar em casa e 139 estão internados, 18 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

O boletim da DGS assinala 2.908 casos suspeitos até hoje, dos quais 374 aguardavam resultado laboratorial.

Das pessoas infetadas em Portugal, três recuperaram.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, convocou uma reunião do Conselho de Estado para quarta-feira, para discutir a eventual decisão de decretar o estado de emergência.

Portugal está em estado de alerta desde sexta-feira, e o Governo colocou os meios de proteção civil e as forças e serviços de segurança em prontidão.

Entre as medidas para conter a pandemia, o Governo suspendeu as atividades letivas presenciais em todas as escolas a partir de hoje, e impôs restrições em estabelecimentos comerciais e transportes, entre outras.

O Governo também anunciou hoje o controlo de fronteiras terrestres com Espanha, passando a existir nove pontos de passagem e exclusivamente destinados para transporte de mercadorias e trabalhadores que tenham que se deslocar por razões profissionais.

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