Nas declarações políticas de hoje, o deputado único do partido liberal, João Cotrim Figueiredo, referiu que hoje “passam 72 dias desde que foi declarado o primeiro caso de covid-19 em Portugal”, um período de tempo em que “muita coisa mudou na vida dos portugueses”.

Reiterando o estado de emergência foi desnecessário, o deputado da Iniciativa Liberal criticou que a baixa do “nível de escrutínio e de exigência” com o Governo e “unanimismo pouco saudável numa democracia”, para além do atraso nos apoios que estão “embrulhados nas malhas da burocracia e no arrastar das decisões políticas”.

“Nestes 72 dias também se assistiu aos oportunismos mais rasteiros dos populistas, à esquerda e à direita”, condenou.

À esquerda, na perspetiva de Cotrim Figueiredo, “proibições e obrigações é com eles”, considerando que “atacar sem cessar a iniciativa privada, os criadores de riqueza e de emprego privados é o seu sonho húmido”.

“Na direita populista as manobras são igualmente lamentáveis. E não digo mais exatamente para não fazer o jogo dos que apenas querem polémica e palco mediático”, atirou.

No entanto, para o liberal, neste período também houve “o que corresse bem”, uma vez que a doença foi contida e a curva achatada.

“O Governo esforça-se por ficar à frente na fotografia, numa luta pela popularidade com o Presidente da República, luta essa que o Governo não quer perder outra vez como nos incêndios de 2017”, disse.

Na perspetiva de Cotrim Figueiredo, o executivo socialista de António Costa quer ficar “com os louros de um resultado que, na verdade, se ficou a dever mais às pessoas do que ao Governo”.

O deputado único da Iniciativa Liberal aproveitou esta declaração política para voltar a apresentar “o Programa de Retoma Económica e Cívica, PREC liberal e democrático”, um documento com 100 medidas “para poder fazer Portugal sair deste ciclo de estagnação que já dura há demasiado tempo”.

Nos pedidos de esclarecimento, André Silva, do PAN, ironizou que um dos efeitos do novo coronavírus foi que os liberais deixassem de idolatrar Margaret Thatcher para idolatrar Che Guevara, saudando a “reconversão da Iniciativa Liberal ao estado social”.

André Silva perguntou a Cotrim Figueiredo quando é que o seu partido “vai adotar preocupações ambientais e sociais” nas suas propostas.

Do PS, pela voz de Hugo Costa, veio também o cumprimento pela conversão dos liberais “à importância do Estado”.

“Porque os liberais são liberais enquanto não há crise”, atirou, aponta a incoerência do liberalismo.

Numa tónica diferente, Cecília Meireles lamentou os "preconceitos ideológicos" que foram trazidos para o debate, considerando que “se não fosse trágico, era uma comédia”.

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