“Agora já há alguma aprendizagem e mais orientações e organização, em termos nacionais e dentro de cada escola, o que permite que o trabalho seja menos difícil, mas sempre com muitas lacunas, porque esta não é uma situação normal de trabalho entre professores e alunos”, disse Mário Nogueira à Lusa.

O terceiro período arranca na terça-feira para mais de um milhão de alunos do ensino básico e secundário, mas as aulas são retomadas à distância, à semelhança daquilo que foram as duas últimas semanas do segundo período, com ensino através de plataformas digitais.

As aulas presenciais de todos os estabelecimentos de ensino estão suspensas desde 16 de março, por decisão do Governo, como forma de conter a propagação do novo coronavírus e para a maioria dos alunos do ensino obrigatório vão manter-se assim até ao final do ano letivo.

Para o secretário-geral da Fenprof, as duas últimas semanas do segundo período, e as primeiras à distância, foram “semanas absolutamente imprevistas”, para as quais os docentes não estavam preparados, mas representaram também um período de adaptação e aprendizagem que permite que agora o trabalho seja menos tumultuoso.

Por outro lado, acrescentou, os professores também avançam para este último período com mais orientações, tanto das escolas como da tutela, e com mais meios de apoio, como a transmissão de conteúdos educativos na RTP Memória, que servirão de complemento ao trabalho dos docentes.

Mário Nogueira reforçou, no entanto, que é importante que os temas desses conteúdos sejam dados a conhecer aos docentes antecipadamente, para que possam preparar as aulas em concordância com as emissões e aprofundar junto dos alunos os temas que sejam tratados na televisão.

“Já houve algumas orientações gerais, mas os conteúdos mais concretos ainda não foram comunicados. Esperamos que esta semana isso possa ser enviado aos professores”, sublinhou.

O dirigente sindical considerou ainda que por muito esforço que seja feito pelo Governo e por todos dentro da comunidade escolar, o ensino à distância ficará sempre aquém do trabalho presencial e, por isso, seria importante que o terceiro período fosse, sobretudo, de consolidação de conhecimentos.

Reforçando uma preocupação que a Fenprof tem vindo a transmitir desde que os alunos e professores transitaram para o modelo de ensino à distância, Mário Nogueira sublinhou que não existem condições para trabalhar novas matérias de maior complexidade e, por isso, muitas delas terão que transitar para o próximo ano letivo.

“O Governo fala no prolongamento do terceiro período até 26 de junho, mas isso não vai garantir que todos os conteúdos do currículo tenham sido abordados, isso não vai ser possível”.

O Governo anunciou na quinta-feira que os alunos do 1.º ao 10.º ano de escolaridade não vão regressar às escolas até ao final do ano letivo e que as aulas presenciais dos alunos dos 11.º e 12.º ano continuam, para já, suspensas, devido à pandemia da covid-19.

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