Na intervenção de fundo do PSD na interpelação ao Governo pedida pelo PS sobre a resposta do Estado social à pandemia, o deputado Hugo Carvalho salientou que a opção dos sociais-democratas não foi a de "quanto pior melhor", mas estranhou que os socialistas tenham escolhido "parar para balanço".

"Foram muitas as solicitações ao Estado, mesmo por parte dos da antipolítica e dos que não acreditam no Estado social. Mas a verdadeira resposta do Estado social não foi a do PS, foi a da sociedade civil", disse, apontando "as horas extra e o trabalho incansável" dos profissionais de saúde, das forças de segurança, dos professores ou dos transportes, entre outros.

O deputado da JSD acusou o Governo de falhar às pequenas empresas, aos sócios gerentes, aos fornecedores ou aos trabalhadores de áreas como a cultura, dos ginásios ou aos feirantes, que continuam "sem resposta do Estado social".

"O Estado social não pode ser o apoio de apenas alguns, não pode ser menos do que a situação exige", desafiou.

Na parte mais 'quente' da interpelação, a deputada do PS Sónia Fertuzinhos respondeu às críticas do PSD com acusações ao executivo PSD/CDD-PP, que governou entre 2011 e 2015.

"Não deixa de ser engraçado que tenha vindo falar das dificuldades destes trabalhadores e do muito que lhes devemos, quando foi o Governo do partido que o senhor apoiou que lhes cortou salários, que lhes aumentou os horários", acusou, sob grandes protestos da bancada do PSD.

A deputada socialista fez o contraponto entre o que disse serem medidas de austeridade desse executivo, e que levaram muitos jovens a emigrar, e as "medidas contracíclicas" que o Governo PS está a adotar.

"Percebemos pela sua intervenção e pelas medidas que o dr. Rui Rio apresentou hoje que infelizmente o PSD não aprendeu nada", criticou a deputada socialista, referindo-se ao programa na área social hoje anunciado pelo líder do PSD.

"Enquanto a senhora deputada faz esse joguete parlamentar as pessoas que estão em casa ficam exatamente na mesma, sem respostas nenhumas e a perderem o interesse na política", lamentou Hugo Carvalho, na réplica.

Antes, o deputado do CDS-PP João Almeida tinha lamentado que o a interpelação do PS não tenha servido para discutir "o que correu melhor e pior", mas para fazer "um ajuste de contas, dizendo "quem são os bons e os maus da história".

"Não tem razão nenhuma, o modelo social que vigora em Portugal e na Europa é uma construção de sociais-democratas e democratas-cristãos", apontou.

João Almeida questionou ainda "onde estava o Estado forte" quando foram precisas respostas para os idosos em lares, mais testes para as populações ou computadores para os alunos mais desfavorecidos, defendendo que as soluções vieram, em muitos casos, das autarquias e do setor social.

"Um bocadinho de humildade fazia sentido, seria importante reconhecer a importância da pluralidade desta resposta", disse.

O deputado único e presidente da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, lamentou que o PS faça "equivaler o Estado social a serviços exclusivamente públicos".

"É pura propaganda ortodoxa socialista", criticou, desafiando os socialistas a apoiarem a proposta do partido para que consultas e cirurgias possam ser feitas também nos privados.

O deputado único do Chega, André Ventura, alinhou na acusação de propaganda ao PS, dizendo que quem assistisse ao debate parlamentar de hoje pensaria que vivia "num país diferente".

Ventura confrontou a ministra do Trabalho com a notícia de um lar em Portalegre onde, alegadamente, nenhum funcionário teria sido testado à covid-19, mas Ana Mendes Godinho desmentiu imediatamente a informação.

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