Contactado pela Lusa, o gabinete de comunicação do centro hospitalar referiu que hoje não seria possível obter uma reação da administração.

Segundo o presidente do SMZC, Noel Carrilho, a médica em questão "não tem qualquer função atribuída, não estando o seu nome em qualquer escala/horário do Serviço de Sangue e Medicina Transfusional (SSMT), a que está afeta, ou do Serviço de Urgência" desde 04 de outubro, dia em que apresentou queixa no Tribunal de Trabalho de Coimbra por assédio moral.

"A situação é insustentável e assume uma dimensão institucional: o CHUC está acusado de assédio moral sobre uma dirigente sindical e após mais de dois anos continua a insistir que todas as situações de alegado assédio não o são e que tudo isto não passa de uma falsa acusação", disse o dirigente, em conferência de imprensa.

De acordo com Noel Carrinho, desde há dois anos que a médica em causa, com uma ligação àquela unidade hospitalar de cerca de 15 anos, "desespera" para ser reintegrada no seu posto de trabalho no Serviço de Sangue e Medicina Transfusional, após o gozo de licença parental.

Salientando que a clínica "vive diariamente um inferno", o dirigente sindical considera incompreensível que o CHUC "mantenha esta trabalhadora afastada das suas funções e remetida a atender telefonemas e a realizar trabalho menor no Hospital de Dia do SSMT e os seus utentes privados do trabalho da médica mais diferenciada na área da coaguloatias congénitas em idade pediátrica".

"Que não restem dúvidas, há dois anos consecutivos que os utentes em idade pediátrica do Centro de Referência de Coagulopatias Congénitas não têm podido usufruir dos cuidados de saúde da única médica com experiência em coagulopatias congénitas em idade pediátrica", sublinhou.

O presidente do SMZC referiu que a médica em causa recebeu em novembro "um prémio internacional" e que foi especificamente contratada para exercer funções no SSMT, sendo que só com o seu contributo "foi possível ao CHUC o reconhecimento como Centro de Referência de Coagulopatias Congénitas".

Noel Carrilho considera incompreensível que a unidade hospitalar "nunca tenha desencadeado qualquer processo disciplinar depois de efetuada, em setembro de 2018, a respetiva queixa pela trabalhadora médica, na altura delegada sindical, estando legalmente obrigado a tal".

As críticas estendem-se também à Autoridade para as Condições de Trabalho, que, tendo recebido a queixa em setembro, se recusou “a assumir o processo ou desencadear qualquer diligência".

"Por outro lado, e mais grave ainda, é incompreensível que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, igualmente recetora da queixa, tenha desencadeado um processo que arquivou com o simples envio de uma exposição do presidente do conselho de administração do CHUC, sem nunca ter ouvido a participante/trabalhadora e limitando-se a aceitar a ‘palavra’ de que a situação estava resolvida e que não existia qualquer assédio", frisou.

O sindicalista salientou ainda que foram desenvolvidos esforços junto do conselho de administração para resolver a situação, com várias reuniões em que o assunto foi debatido.

Porém, acrescentou, a administração tem estado a “negar evidências” e “continua a aceitar e a cometer assédio moral sobre uma dirigente sindical".

"Ao longo de mais de 40 anos de vida, não há memória de um comportamento tão reiterado, tão inconspícuo e tão vexatório por parte do CHUC contra uma dirigente sindical", enfatizou Noel Carrilho, que perante "a absoluta inércia de todas as instituições que receberam a queixa" pondera solicitar a intervenção direta da Ministra da Saúde.

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