A sacabuxa? É “o antepassado do trombone”, diz António, músico profissional, que integra o grupo de mais de trinta peregrinos que o SAPO24 está a acompanhar até Fátima. “É um instrumento que remonta ao século XVI”, acrescenta. “Tem um ar antigo”, replicamos. “É uma réplica, mandei fazer, há construtores especializados em instrumentos antigos, sobretudo alemães. Esta vem de Munique”, conta.

A paixão pela música antiga é, também ela, antiga. Compara-a ao jazz: “na música antiga existe uma melodia base e o músico improvisa introduzindo diminuições. Ao fazer a transição de um som para outro coloca várias notas no meio”, explica. “Temos alguma liberdade… se bem que não tanta como no jazz”.

António tem mais quatro sacabuxas. A que trouxe para a caminhada “corresponde à voz de tenor”, diz, trocando ‘por miúdos’ a linguagem técnica. Porquê esta? Questionamos. “Era a que tinha aqui em Lisboa”, responde com um sorriso. “Estou a viver em Genebra [na Suíça], vim de propósito para a peregrinação”, conta.

É a segunda vez que António se faz ao caminho, a primeira foi em 2016, para cumprir uma promessa. Já este ano veio “por opção”. “Sinto que a peregrinação é uma oportunidade de reflexão, o caminhar ajuda-nos a focar”. “Não é fácil, isto é mesmo verdade. Fazer esta caminhada exige convicção, do ponto de vista mental e espiritual, é preciso ter uma vontade forte de o fazer”. O mais duro, diz, é “a parte física, as dores nos músculos, nos pés, o cansaço que se acumula”. Por outro lado, destaca o “enriquecimento humano, a partilha”. E garante: “se do ponto de vista mental e espiritual acreditamos que é por uma boa causa, que nos vai aproximar mais de Deus, o sacrifício é menor”.

E quando se chega a Fátima? “Consegui, estou cá, o esforço valeu a pena”, resume. “Depois de tantos dias a caminhar, de tanto esforço, há também uma sensação de superação”, acrescenta. E este é um ano “excecional”, recorda. Celebram-se cem anos desde as primeiras aparições, em 1917, de Nossa Senhora aos Pastorinhos de Fátima, dois dos quais - Francisco e Jacinta - serão canonizados. Há ainda que referir a presença do Papa Francisco nas celebrações do centenário.

António não poderá ficar para assistir a todas as comemorações. Depois da procissão das velas regressa a Odivelas, onde tem casa, e no dia 13 voa para Genebra. Em setembro, um concerto no CCB trá-lo de volta a Lisboa. São as Vésperas de Monteverdi, no dia 14.

Apesar de estar fora, António vem várias vezes a Portugal, já que colabora com várias orquestras nacionais.

A sua primeira orquestra, recorda, foi a Banda Sinfónica da Polícia de Segurança Pública. Ainda não tinha acabado o curso, mas arriscou, concorreu e entrou. Estávamos em 1997. Aí ficou até 2005, um ano depois pediu licença para seguir a família. “A minha esposa teve uma oferta de emprego na Suíça, e fomos”, conta.

Em “ponte aérea” encontrou tempo para abrir uma loja de instrumentos musicais em solo luso. O bom filho à casa torna? “Talvez”, diz com um sorriso.

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