"[A Benfica SAD] espera que seja esclarecedora. É esse o nosso objetivo", afirmou aos jornalistas João Medeiros, no final de mais uma sessão da fase de instrução do processo e-toupeira, depois de questionado sobre a diligência marcada para quarta-feira, no estádio do Benfica.

João Medeiros afirmou que a sessão de hoje "correu bem", mas não avançou quaisquer detalhes sobre os assuntos abordados no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), nem se alongou sobre o alegado envolvimento do ex-assessor jurídico da SAD ‘encarnada’, Paulo Gonçalves, no caso e-toupeira.

"Essas são as questões que se discutem neste processo lá dentro e não no meio da rua", sublinhou, após uma sessão que durou cerca de duas horas e meia.

Sobre a ausência de Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que também foi arrolado como testemunha da Benfica SAD e que pediu o adiamento da diligência de forma a poder acompanhar o jogo de Portugal-Polónia, para a Liga das Nações A, que se realiza hoje em Guimarães, e sobre se o responsável vai ser ouvido em nova data, João Medeiros deixou tudo em aberto.

"Ainda não tomámos posição quanto a isso", limitou-se a dizer.

Hoje, foram ouvidos pela juíza de instrução criminal Ana Peres o presidente da Liga de clubes, Pedro Proença, o diretor financeiro do Benfica, Miguel Moreira, e o diretor de comunicação do clube, Luís Bernardo, testemunhas arroladas pela Benfica SAD no processo e-toupeira.

Pedro Proença entrou e saiu do TCIC pela porta lateral, pelo que não foi visto pelos jornalistas, mas foi possível confirmar junto de diferentes fontes intervenientes neste processo que o dirigente deu o seu testemunho à juíza Ana Peres, tal como fonte da Liga adiantou à Lusa no início da tarde.

Miguel Moreira e Luís Bernardo, que não prestaram declarações à comunicação social à entrada para o TCIC, também evitaram as questões colocadas pela comunicação social à saída dos trabalhos.

"Correu bem", lançou apenas o diretor de comunicação do clube da Luz face à insistência dos jornalistas.

A fase de instrução do processo 'e-toupeira', requerida pelos quatro arguidos, incluindo a Benfica SAD, começou na quarta-feira da semana passada no TCIC, em Lisboa.

A instrução, fase facultativa que visa decidir por um juiz de instrução criminal se o processo segue para julgamento, tem decorrido à porta fechada, com início sempre às 14:00, exceto no debate instrutório, agendado para 26 de novembro, e na leitura da decisão instrutória, sessões que serão públicas.

No Requerimento de Abertura de Instrução (RAI), a SAD do Benfica defende que a acusação do Ministério Público (MP) é infundada e que terá de cair nesta fase. O RAI assenta em três pontos essenciais, nomeadamente o desconhecimento dos factos imputados ao seu antigo assessor jurídico Paulo Gonçalves e restantes dois arguidos, ambos funcionários judiciais.

A acusação do MP considera que o presidente da Benfica SAD, Luís Filipe Vieira, teve conhecimento e autorizou a entrega de benefícios aos dois funcionários judiciais, por parte de Paulo Gonçalves, a troco de informações sobre processos em segredo de justiça, envolvendo o Benfica, mas também clubes rivais.

A SAD do Benfica está acusada de 30 crimes e Paulo Gonçalves de 79 crimes. O MP acusou a SAD do Benfica de um crime de corrupção ativa, de um crime de oferta ou recebimento indevido de vantagem e de 29 crimes de falsidade informática.

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