Tiago Lopes, governante, é diretor regional da Saúde e é também o rosto da Autoridade de Saúde dos Açores, tendo durante meses 'entrado em casa' dos açorianos por via dos pontos de situação diários da Covid-19. O responsável concorre agora como número dois do PS pela ilha Terceira.

Para o líder do PSD/Açores, José Manuel Bolieiro, tal representa um "aproveitamento" dos socialistas de um "certo protagonismo" que Tiago Lopes almejou durante a pandemia.

"É notoriamente um aproveitamento político. Mais evidente não pode ser. Isto é vantajoso para a maturidade orgânica dos órgãos de governo próprio da região, da autonomia e democracia dos Açores? Penso que não", considerou o social-democrata, em entrevista à agência Lusa.

Bolieiro reconhece que, no sufrágio de dia 25, há "manifestamente o risco" de os açorianos, particularmente os mais "fragilizados", se lembrarem mais da atuação do executivo do PS no combate à pandemia do que na atuação noutras áreas.

"Há manifestamente esse risco de as pessoas mais fragilizadas, que procuraram proteção nas orientações políticas e de saúde pública, encontrarem no poder uma salvaguarda. (...) Isso penaliza as oposições que se querem afirmar como alternativas. Isto não pode ser considerado uma desculpa, é uma constatação", concretiza o candidato, número um do PSD pela ilha de São Miguel e aspirante a presidente do Governo dos Açores.

O PSD/Açores tem no seu programa político para as eleições o desígnio de "desgovernamentalizar" a região, e, à Lusa, Bolieiro sustenta que, "passados 44 anos de autonomia, o caminho é de a favor da descentralização e da parceria, da corresponsabilização".

"Quero demonstrar que há outro caminho para conquistar outros resultados e objetivos que nesta fase, de 24 anos de governação do PS, não revelam progresso significativo", declarou ainda.

Questionado sobre uma eventual dispersão de votos pelas várias forças políticas da oposição, afirmou: "A concentração do voto no PSD para afirmação da alternativa, para garantir uma alternativa, é vantajosa em vez de uma dispersão pelos partidos de protesto. Mas devo dizer como democrata que aceito a pluralidade de opinião".

Bolieiro abandonou a liderança da Câmara de Ponta Delgada já este ano, embora mantenha o mandato suspenso de forma "simbólica", reiterou à Lusa.

"Não estou neste projeto político por uma questão de ambição pessoal. Saí de uma zona de conforto para cumprir uma missão", disse, sustentando que, quando assumiu o mais recente mandato na maior autarquia açoriana, estava "longe de assumir" a intenção de concorrer às regionais deste ano.

"As circunstâncias é que se alteraram", insiste, garantindo que, à época da suspensão, não estava previsto o regresso a Ponta Delgada, o que agora volta a dizer.

"Assumirei aquele que for o mandato que o povo me atribuir", acrescenta o líder dos sociais-democratas açorianos.

O programa político do PSD para as eleições regionais nos Açores, apresentado no final de setembro, assenta em quatro eixos estratégicos, defendendo uma desgovernamentalização e descentralização da região, a par de maior liberdade e independência e avanços no campo digital.

No que se refere ao segmento da desgovernamentalização, é defendido um equilíbrio da "distribuição dos fundos europeus entre os setores público e privado", sinalizando o partido que as pequenas e médias empresas (PME) da região "asseguram 70% do emprego e recebem 20%" dos fundos comunitários.

Nas eleições regionais açorianas existem nove círculos eleitorais, um por cada ilha, mais um círculo regional de compensação que reúne os votos que não foram aproveitados para a eleição de parlamentares nos círculos de ilha.

Nas anteriores legislativas açorianas, em 2016, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.

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