"Este sítio arqueológico era já conhecido e, em parte, o interesse científico no seu estudo resultava do facto de ser estruturalmente distinto do conhecido Dólmen de Antelas, localizado nas proximidades", justifica.

Segundo a autarquia, enquanto que o Dólmen de Antelas "é um grande monumento neolítico (com seis mil anos)", a Cumeeira "é uma pequena mamoa (uma colina artificial) que encerra um sepulcro que urgia conhecer melhor".

As escavações, que serão concluídas no verão do próximo ano, mostraram que na Cumeeira existe "um sepulcro do final da Idade do Bronze (três mil anos), de pequenas dimensões, mas, ainda assim, com uma arquitetura mais complexa do que aparentava", sublinha.

Dirigidos por Fabián Cuesta-Gómez e António Faustino Carvalho, estes trabalhos integram um projeto do município e da Universidade do Algarve, aprovado pelo Ministério da Cultura para o quadriénio 2020-2024, que tem como objetivo o conhecimento dos monumentos e das práticas funerárias da pré-história regional.

A autarquia avança que os construtores do sepulcro "começaram por regularizar a superfície do local com uma densa camada de pedras, sobre a qual construíram uma cista (uma caixa em pedra) com lajes de granito, onde se praticou o ritual funerário".

"A delimitar este espaço, foi ainda construído um muro circular, no interior do qual se descobriram pequenos fragmentos de potes de barro utilizados nas cerimónias fúnebres" e, sobre estas estruturas, "foi então criada a colina artificial, com pedras e terra, para encerrar e proteger para a posteridade os restos do defunto", acrescenta.

Está ainda por determinar "que tipo de ritual funerário terá sido empregue, se a inumação, se a cremação", sendo que este último é "o mais frequente nesta época, o que representa uma profunda mudança cultural e ideológica face aos rituais funerários anteriores".

Durante os trabalhos, foi também possível verificar que, a nordeste, se encontra uma outra mamoa, que será escavada no próximo ano, e, a noroeste, "um afloramento rochoso com covinhas que poderão estar relacionadas com os cultos praticados na Cumeeira".

Os objetos e os dados científicos obtidos nestes trabalhos e noutros que o projeto tem previstos para Oliveira de Frades constarão da Sala de Arqueologia do Museu Municipal.

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