No dia seguinte ao enterro de George Floyd, que foi morto em 25 de maio em Minneapolis por um polícia branco, o seu irmão Philonise Floyd foi ouvido pelo Comité Judiciário da Câmara dos Representantes, de maioria democrática.

Muito emocionado, explicou que “não conseguia descrever a dor” que sentia ao ver o vídeo da provação do seu irmão, asfixiado pelo oficial Derek Chauvin, que permaneceu ajoelhado no pescoço durante quase nove minutos.

“Estou aqui para vos pedir que ponham fim ao sofrimento, que ponham fim ao nosso esgotamento”, disse aos eleitos.

“Ouçam o meu apelo, ouçam os apelos da minha família, os apelos que vêm das ruas de todo o mundo”, acrescentou, referindo-se aos protestos que se seguiram à tragédia, os maiores desde o movimento dos direitos civis nos anos 60.

E defendeu: “Honrem-nos adotando as reformas necessárias para garantir que a aplicação da lei seja a solução e não o problema”.

“Façam com que prestem contas quando fazem mal, ensinem que tratar as pessoas com empatia e respeito, e ensinem-nos que a força letal só deve ser aplicada quando está em jogo uma vida”, enumerou.

A sua audição, juntamente com representantes da polícia e da sociedade civil, foi organizada para apoiar um projeto de lei apresentado no início desta semana por eleitos democratas, que visa “mudar a cultura” no seio das forças policiais dos Estados Unidos.

“Não podemos fazer vista grossa ao racismo e à injustiça que permeia demasiadas das nossas forças policiais”, disse Jerry Nadler, o chefe da comissão, ao abrir a reunião. “A nação exige que atuemos para provocar uma mudança significativa”, adiantou.

A aplicação da lei está na berlinda desde a morte de George Floyd. Multidões de manifestantes tomaram as ruas do país – e mesmo de outros continentes – para exigir justiça e reformas profundas nas mais de 18.000 forças policiais que coexistem nos Estados Unidos, como a Polícia Municipal, os xerifes do condado, patrulhas estatais.

Ao grito de “Black Lives Mater”, denunciaram a “brutalidade policial”, que visa desproporcionadamente os afro-americanos. Quase um quarto das mil pessoas mortas pela polícia em 2019 eram negras, apesar de representarem apenas 13% da população americana.

Os manifestantes querem também pôr fim à ampla impunidade de que gozam os agentes da polícia. Nos últimos 15 anos, apenas 110 agentes foram acusados de disparar contra um suspeito.

Neste caso, foram necessários vários dias para Derek Chauvin ser acusado de “assassinato” e os seus três colegas envolvidos de “cumplicidade”.

Perante a cólera das ruas, algumas agências anunciaram medidas iniciais. A polícia de Houston abandonará a prática controversa dos “estrangulamentos” na detenção de suspeitos, a polícia de Minneapolis será desmantelada e retrabalhada e a polícia de Washington deixará de dar espaço aos sindicatos nos processos disciplinares.

A nível federal, o “Justice and Policing Act”, apoiado por mais de 200 eleitos maioritariamente democratas, pretende, entre outras coisas, criar um registo nacional para os agentes policiais que cometam infrações, facilitar os procedimentos legais contra os agentes e repensar o seu recrutamento e formação.

Mas o futuro da lei está seriamente comprometido no Senado da maioria republicana.

Face a esta mobilização, sem precedentes desde o movimento dos direitos civis dos anos 60, o líder da maioria da Câmara Alta, Mitch McConnell, anunciou na terça-feira que vai nomear o único senador negro republicano, Tim Scott, para liderar o pensamento do partido do Presidente sobre o assunto.

Depois de denunciar uma morte “triste e trágica”, Donald Trump, que faz campanha para a reeleição, salientou um discurso de segurança, sublinhando a violência cometida à margem das manifestações.

George Floyd, um afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

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