“Timor-Leste tem que ajudar. Acredito que o Governo o vai fazer”, disse à Lusa o ex-Presidente timorense, afirmando que muitos cidadãos, incluindo ele próprio, estão a dar um contributo.

“Quer Xanana Gusmão [antigo Presidente], quer o primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, são extremamente sensíveis a esta situação e tenho a certeza que vai haver uma manifestação de apoio concreto a Moçambique”, disse Ramos-Horta, que pediu apoios para Moçambique na sua página na rede social Facebook.

José Ramos-Horta disse que vai entregar, durante o dia, uma contribuição pessoal à ex-deputada da Fretilin Nurima Alkatiri, nascida em Maputo, que está a liderar uma recolha de apoios em Timor-Leste.

“Enquanto cidadão ainda hoje vou entregar a minha contribuição pessoal a Nurima Alkatiri, que está a coordenar a mobilização de amigos timorenses e outros residentes em Timor-Leste para apoio a Moçambique”, disse.

“A situação é de partir o coração e não podemos ficar alheios. Mesmo que a nossa ajuda seja uma gota de água naquele oceano de lágrimas e de destruição, todas as pequenas contribuições do mundo vão ajudar a salvar muitos”, afirmou.

Na mensagem divulgada no Facebook, José Ramos-Horta lembrou o apoio dado por Moçambique a Timor-Leste, durante o período da resistência timorense à ocupação indonésia.

“Eles ajudaram-nos durante os nossos longos anos negros. Somos muito pobres, temos muitas necessidades. Mas a solidariedade é maior e mais sentida, mais genuína, quando partilhamos o prato de arroz ou mandioca que temos na mesa”, escreveu.

Em mensagens divulgadas nos últimos dias, Nurima Alkatiri indicou que amigos de Moçambique estão “a juntar as suas contribuições" e "ajudar as vitimas do ciclone Idai”.

O objetivo é canalizar o apoio para o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades moçambicano, acrescentou.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Malaui e Zimbabué provocou mais de 350 mortos, segundo balanços provisórios divulgados pelos respetivos governos desde segunda-feira.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, anunciou na terça-feira que mais de 200 pessoas morreram e 350 mil “estão em situação de risco”, tendo decretado o estado de emergência nacional.

Moçambique cumpre hoje o segundo de três dias de luto nacional.

A Cruz Vermelha Internacional indicou que pelo menos 400.000 pessoas estão desalojadas na Beira, considerando que se trata da “pior crise” do género em Moçambique.

O Idai, com fortes chuvas e ventos de até 170 quilómetros por hora, atingiu a Beira (centro de Moçambique) na quinta-feira à noite, deixando os cerca de 500 mil residentes na quarta maior cidade do país sem energia e linhas de comunicação.

No Zimbabué, as autoridades contabilizaram pelo menos 100 mortos e centenas de desaparecidos, enquanto no Malaui as únicas estimativas conhecidas apontam para pelo menos 56 mortos e 577 feridos.

Os donativos internacionais para ajuda de emergência atribuídos desde segunda-feira aos três países afetados pelo ciclone Idai ascendem já a pelo menos 52,5 milhões de euros.

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