Numa altura em que o Reino Unido leva um avanço de cerca de 140 mil pessoas vacinadas contra a covid-19, há várias boas e (algumas) más notícias. Comecemos pelas positivas: a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) planeava emitir um parecer positivo à vacina da Pfizer contra a covid-19 a 29 de dezembro, mas a luz verde pode ser antecipada para ainda antes do Natal: para a próxima segunda-feira, dia 21.

Esta data é importante porque significa mais esperança no começo da vacinação ainda antes de o ano acabar. Esta vacina já está aprovada em países como o Reino Unido — lá está —, os Estados Unidos ou o Canadá, mas sem a aprovação da EMA não pode ser usada em Portugal ou em qualquer um dos 27 países da União Europeia.

Virando a nossa atenção apenas para a Europa, foi sobre a aprovação da vacina já no início da próxima semana que falou hoje Ursula von der Leyen. “Finalmente há boas notícias", disse a presidente da Comissão Europeia, que sublinhou que “ninguém deve pensar que está a salvo [da pandemia], não quando mais de 3.000 europeus morrem de covid-19 a cada dia”.

De mão dada com as máscaras e o distanciamento social, a vacina contra a covid-19 será um dos meios para combater a pandemia. Mas para isso é preciso que cada país vacine 60% a 70% da sua população, afirmou hoje a Organização Mundial da Saúde. E é aqui que surge a má notícia: mesmo que todos os fabricantes de vacinas consigam chegar à sua capacidade de produção máxima, pelo menos um quinto da população mundial não terá acesso a vacinas até 2022.

A outra face do problema é que, segundo os investigadores da Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, das 7,48 mil milhões de doses de vacinas reservadas pelos países (número à data de 15 de novembro) metade (51%) irão para países de rendimentos altos, que representam apenas 14% da população mundial. Os restantes 49% vão para os países mais pobres, que têm mais de 85% da população. São números que podem vir a mudar e Von der Leyen quer fazer parte da solução desta “missão gigantesca”.

“A vacinação pode assim começar imediatamente, e outras [vacinas] seguir-se-ão no Ano Novo", disse, confortando os cidadãos com a informação de que a UE comprou "doses mais que suficientes para toda a gente na Europa, e ainda estaremos em condições de apoiar os nossos vizinhos e parceiros no mundo, para que ninguém fique para trás”.

Ficou também um apelo por parte de von der Leyen, que António Costa tinha feito na semana passada: o de que todos os Estados-membros da União Europeia iniciem as campanhas de vacinação ao mesmo tempo para se chegar a uma imunidade de grupo “à escala da UE”.

“Por isso, comecemos tão cedo quanto possível a vacinação, juntos, a 27, a começar no mesmo dia. Iniciemos a erradicação deste vírus horrível juntos e unidos”, disse a presidente do executivo comunitário.

Rui Portugal, o subdiretor-geral da saúde, que tem substituído Graça Freitas, que está a recuperar depois de ter testado positivo à covid-19, comentou a antecipação da aprovação da vacina da Pfizer: “Se esse facto acontecer, estaremos a pensar numa antecipação de oito dias em relação à vacinação e todo o esforço deve ser feito para que todas as questões logísticas sejam antecipadas em oito dias”.

O coordenador do plano de vacinação nacional, Francisco Ramos, também se mostrou confiante: “Se eventualmente, por algum passo de mágica, chegassem agora vacinas, à tarde tínhamos condições para estar a administrar num qualquer centro de saúde em Portugal. Temos uma prática de vacinação enorme e não será por falta de capacidade dos centros de saúde que as vacinas deixarão de ser administradas”, frisou.

E antes da toma da vacina, vem a distribuição. Hoje ficámos a saber que as Forças Armadas vão ficar de fora da distribuição. Essa tarefa ficará a cargo  da "empresa que vai entregar as vacinas", disse o coordenador do plano de vacinação. Francisco Ramos confirmou também os três locais de entrega das doses: um no Continente e outro em cada uma das regiões autónomas. O responsável acrescentou que até ao final desta semana será apresentada uma “versão desenvolvida e aumentada do plano de vacinação” e que está prevista uma campanha de comunicação em torno da vacinação para que as pessoas se informem e ganhem confiança em relação à sua toma. O que seria um erro para Francisco Ramos? Tornar a vacina obrigatória.

O coordenador da 'task-force' revelou ainda que a primeira fase de vacinação contra a covid-19 vai assentar no recurso a 20% dos enfermeiros dos centros de saúde, sem prejuízo da atividade assistencial não covid.

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