A dona do Correio da Manhã chegou a acordo com a espanhola Prisa para a compra da totalidade das ações da Media Capital, valorizando a empresa em 255 milhões de euros ('enterprise value').

"Caso a aquisição da referida participação venha a ser positivamente apreciada pelos reguladores, o seu financiamento está assegurado através de crédito bancário já aprovado e da realização de um aumento de capital", refere a administração da Cofina, liderada por Paulo Fernandes, num comunicado enviado à Lusa.

"Excluindo a percentagem de capital em 'free-float' [disperso em bolsa], o aumento de capital está garantido em mais de 50% pelos atuais acionistas de referência, sendo, no entanto, possível que entrem novos investidores com posições qualificadas", acrescenta.

"A criação de um grupo financeiramente forte é o melhor garante da independência editorial e da criação de valor para todos os 'stakeholders', incluindo colaboradores, acionistas, clientes, fornecedores e parceiros", prossegue.

"Como é timbre da Cofina, os nossos objetivos passam por ter um grupo de media tecnologicamente evoluído, capaz de gerar eficiências e com foco contínuo na liderança dos segmentos em que opera, assegurando a sustentabilidade dos conteúdos de língua portuguesa", sublinha.

A compra da dona da TVI "permite que, após alguns anos, um dos principais grupos de meios de comunicação social, volte a ter um acionista de matriz nacional", conclui a Cofina.

O grupo Cofina detém, além do Correio da Manhã e da CM TV, o Jornal de Negócios, a revista Sábado, o Record, entre outros títulos.

Por sua vez, a Media Capital conta com seis canais de televisão e a plataforma digital TVI Player. Além da TVI, canal generalista em sinal aberto que celebra 26 anos, conta com a TVI24, TVI Reality, TVI Ficção, TVI Internacional e TVI África.

A Media Capital tem também rádios, onde se inclui a Comercial.

Em 14 de agosto, a Cofina confirmou que estava a negociar com a espanhola Prisa a compra da Media Capital, depois da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ter suspendido a negociação das ações da dona Correio da Manhã e do grupo Media Capital após uma notícia do Expresso que dava conta de um memorando assinado há três semanas para a exclusividade de negociações.

Em junho do ano passado, a Prisa desistiu da venda da Media Capital à Altice, na sequência da Autoridade da Concorrência (AdC) ter rejeitado os compromissos propostos pela operadora de telecomunicações Meo. A Altice tinha oferecido 440 milhões de euros pela dona TVI.

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