Eleito pelo 16º distrito de Bouches-du-Rhône à Assembleia Nacional francesa nas eleições legislativas de 19 de junho, Emmanuel Taché de la Pagerie foi processado por uma das mais antigas famílias aristocráticas do país por alegada utilização indevida do seu apelido.

Nascido Emmanuel Taché no subúrbio parisiense de classe trabalhadora de Montreuil, o deputado do Rassemblement National, partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen, contou ao jornal Le Monde que adicionou o nome “de la Pagerie” há 30 anos ao seu passaporte, quando trabalhava no setor da moda.

De acordo com o seu advogado, não só a utilização deste apelido "é do conhecimento público há décadas", como "é perfeitamente normal nos setores artístico e da comunicação usar um pseudónimo ou um nome artístico". "A única restrição é que não se pode passar esse nome aos filhos", acrescenta.

O apelido em disputa não é bem o mesmo. Trata-se de "Tacher de la Pagerie", cuja origem é antiga e a sua mais famosa detentora foi a imperatriz Josefina de Beauharnais, que casou com Napoleão Bonaparte em 1796, já que o seu nome completo era Marie-Josèphe-Rose de Tascher de La Pagerie.

Apesar de já não existirem homens descendentes da família Tascher de la Pagerie, três descendentes decidiram processar o deputado por considerarem que o apelido foi indevidamente apropriado. "Apresentámos queixa para proteger o nome da família", disse Frederic Pichon, advogado que representa as três mulheres, à AFP, acrescentando que as audições ocorrem a 8 de julho.

Processo civil de cariz simbólico, a família quer uma indemnização de um euro — à qual se acrescenta uma multa de 500 euros por dia se o deputado continuar a usar o apelido. Não está em causa, adianta a família, o facto de Emmanuel Taché integrar uma força política de extrema-direita, mas sim o facto de que o apelido é raro e assim arrisca-se "criar confusão aos olhos do público", isto apesar de Taché e Tacher escreverem-se de forma distinta.

"As minhas clientes são da Normandia mas vivem em Paris, e são as únicas herdeiras a ter este nome desde a morte do seu pai em 1993 — e um dos seus últimos pedidos foi pela proteção do nome", justificou Pichon.

Quanto a Emmanuel Taché, que vê o seu mandato enquanto deputado ensombrado à nascença, recusa-se a comentar o processo, dizendo que acabou de ser eleito e que não tem "tempo para desperdiçar neste tipo de coisas".

Apesar da lei francesa não considerar ilegal usar apelidos aristocráticos, o seu uso tem sido sujeito a controvérsias, como a que envolveu o ex-presidente Valéry Giscard d’Estaing pela adição do "de" ao apelido por parte do seu avô.

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