O gestor reuniu-se hoje com o Presidente da República, no âmbito de uma ronda de audiências que Marcelo Rebelo de Sousa está a ter esta tarde com os líderes dos principais grupos de comunicação social, no âmbito do impacto da pandemia de covid-19 no setor.

"Não se colocam temas de ajudas financeiras adicionais para o grupo RTP", afirmou Gonçalo Reis, no final da audiência, quando questionado pelos jornalistas sobre o tema.

"O que está em marcha, e muito bem, são os pacotes de estímulo ao setor da comunicação social, nomeadamente à imprensa, com critérios e com transparência, e a RTP não participa, não deve beneficiar desses estímulos", acrescentou o gestor, aludindo à compra antecipada pelo Estado de publicidade institucional, no montante de 15 milhões de euros.

A Lusa e a RTP estão excluídas deste pacote de ajuda.

Questionado se os 15 milhões de euros são suficientes, o presidente da RTP afirmou: "Acho que é perfeitamente razoável, equilibrado, expectável que o setor com a relevância que tem a comunicação social, com a relevância que tem a imprensa para uma sociedade livre, aberta, civilizada que seja alvo de programas muito transparentes, com critério e que no fundo valorizem o papel de imprensa livre, sustentável e plural".

Sobre o encontro com Marcelo Rebelo de Sousa, Gonçalo Resis referiu que foram abordados temas como a relevância e o papel do jornalismo.

"Falámos também sobre o papel da RTP, hoje uma empresa sustentável, uma empresa não problemática, uma empresa virada para a lógica do serviço público", que "nesta fase tem reforçado a programação em termos de educação, culturais, com muitas apostas no digital e com apoio à produção independente e às indústrias criativas, que também é um papel relevante", disse.

"O papel da RTP sempre é ter uma lógica de serviço público, ou seja, uma lógica de diferenciação e, em particular, nestas alturas, reforçar tudo o que é programação educativa, que é muito relevante para os cidadãos e vai continuar a ser", acrescentou.

Relembrou também que participou, recentemente, na conferência promovida pelo Sindicato de Jornalistas, patrocinada pelo Presidente da República, onde nessa altura "já se falava de uma situação exigente de muita transformação" nos media, quer a nível internacional como nacional.

"Face a um panorama já de si exigente hoje vemos uma situação ainda mais exigente", considerou, aludindo ao impacto do novo coronavírus no setor da comunicação social em Portugal.

Sobre a integração de precários, referiu que a RTP, "nos últimos 18 meses integrou 180" pessoas, um "número muito significativo, cumprindo todas as regras".

De acordo com a agenda, Marcelo Rebelo de Sousa iniciou a tarde com uma audiência à RTP, seguida da Impresa, Media Capital, Cofina, Lusa e grupo Renascença Multimédia.

Estas audiências acontecem depois de, na véspera do 25 de Abril, Marcelo Rebelo de Sousa ter recebido o Sindicato dos Jornalistas e associações representativas do setor, que traçaram o quadro do estado atual da crise da comunicação social.

No domingo, numa nota em que assinalou o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, Marcelo Rebelo de Sousa renovou o apelo para que o Estado apoie a comunicação social, considerando que deve fazê-lo "de forma transparente e não discriminatória".

O chefe de Estado sublinhou que, "sem informação livre e plural, não há democracia".

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