“Na zona de Atenas os incêndios estão debelados, controlados. Os bombeiros estão a controlar toda a região para apagar os pequenos focos que ainda existam. Tenho estado a ouvir as notícias e os incêndios nesta região estão apagados e as imagens na televisão são de zonas queimadas, mas não de zonas em chamas”, referiu por telefone à Lusa Maria da Piedade Maniatoglou, 61 anos, que se fixou há mais de quatro décadas na capital grega.

Maria da Piedade assinalou que não há registo de vítimas entre a comunidade portuguesa, uma confirmação que obteve após um contacto com o representante diplomático português.

“Falei com o senhor embaixador há cerca de uma hora, puseram-se em movimento para o que fosse necessário, pediu-me que, se soubesse de alguém, os reencaminhasse para a embaixada para o que fosse necessário”, disse.

A portuguesa, dirigente da Associação cultural para os portugueses na Grécia, contou que os portugueses com conseguiu contactar e que sabia que estavam nas zonas do fogo, "estão todos bem".

"Há apenas uma senhora que não consegui contactar, terá de ser através de outra senhora, não tenho o seu telefone de casa e o telemóvel não está a funcionar”, afirmou.

De acordo com a secção consular da embaixada de Portugal em Atenas, a comunidade portuguesa inclui 600 pessoas, incluindo lusodescendentes.

Na tarde e noite de segunda-feira, lembrou, a região de Atenas estava “carregada de cheiro a queimado e partículas em suspensão” e com um céu enegrecido e alaranjado.

“O cheiro a queimado era intenso e houve alturas em que chegou a ser intenso. Mas relativamente à cidade de Atenas, pelo menos na minha zona, foi a única consequência sensível”, assinalou.

A rapidez com que o fogo alastrou foi um dos fatores que terá motivado um número de elevado de vítimas, indicou.

“Num dos sítios onde há vítimas mortais, estavam a referir que praticamente tudo aconteceu em uma hora ou pouco mais, nos sitos onde há casas ardidas. Foi imensamente rápido e em grande parte penso que causado pelos ventos muito fortes… Foi mais ou menos como no ano passado em Portugal”, disse Maria da Piedade.

Um dos dois fatores que terá sido decisivo para a tragédia, disse, foi que "nessa zona onde há infelizmente muitas vítimas existe uma grande concentração de habitações, sejam de veraneio ou residências fixas".

A zona está situada numa zona de mata, "as casas estão construídas no meio dos pinheiros e isso ajuda a que tudo arda de uma vez, o fogo propaga-se muito rapidamente”, revelou ainda.

Os fogos que lavram na Grécia causaram pelo menos 60 mortos e 172 feridos, alguns em estado crítico, de acordo com os últimos dados da Proteção Civil grega.

O Governo de Alexis Tsipras pediu ajuda internacional na noite de segunda-feira, tendo já alguns países respondido com meios de apoio.

Portugal vai enviar 50 elementos da Força Especial de Bombeiros (FEB) para ajudar a combater os incêndios na Grécia, anunciou hoje o ministro da Administração Interna.

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