O Polietileno Tereftalato é um polímero termoplástico a partir do qual se produzem milhões de garrafas e outros produtos plásticos, em todo o mundo. Inventado em 1941, por dois químicos britânicos, o material, que conhecemos como PET, faz parte do nosso quotidiano desde os anos 1970.

Passados 75 anos da sua invenção, são produzidas anualmente cerca de 45 milhões de toneladas de PET. Um problema, se pensarmos nas consequências ambientais, pois, além de não ser biodegradável, apenas metade deste material é reciclado. Por exemplo, nos Estados Unidos, apenas 31% deste material é reciclado. Em Portugal, de acordo com dados disponibilizados pela Sociedade Ponto Verde, uma das empresas de reciclagem no país, em 2015 esse valor situa-se nos 20%.

Os números podem ser assustadores: se até 2050 nada for feito, há uma grande possibilidade de existirem mais plásticos nos oceanos do que peixes.

No entanto, parecem surgir boas notícias do lado da ciência. Uma dupla de investigadores japoneses descobriu aquela que pode ser a estrela do tratamento do PET. Num estudo publicado pela revista Science, os cientistas apresentam a Ideonella sakaiensis, uma bactéria que consegue decompor material PET.

Kohei Oda, do Instituto de Tecnologia de Quioto, e Kenji Miyamoto, da Universidade de Keio, selecionaram 250 sedimentos de solo, águas residuais e amostras de lodo provenientes de uma unidade de reciclagem de PET, em Sakai, no Japão. Depois de uma cuidada investigação microbiológica, a dupla descobriu que houve uma bactéria que prosperou nos resíduos de PET.

Apesar de esta não ser a primeira vez que se identifica uma bactéria capaz de decompor plástico, a Ideonella sakaiensis assume-se como a mais eficiente até ao momento. Os cientistas descobriram que esta bactéria usa duas enzimas que provocam uma reação química capaz de degradar o PET.

"Isto poderia fornecer enormes poupanças na produção dum novo polímero sem a necessidade de materiais à base de petróleo", afirmou Uwe T. Bornscheuer, um especialista em Catálise Enzimática, num comentário ao estudo divulgado pela Science.

Um mistério com mais de sete décadas

Esta descoberta vai adensar um enigma evolutivo que corre na comunidade científica. Se o material PET existe somente há 75 anos, como é possível que exista uma bactéria capaz de degradar este material, usando-o como principal fonte de carbono e energia?

A resolução deste enigma tem interesse não só do ponto teórico, mas também do ponto de vista prático, uma vez que esta se apresenta como uma das melhores soluções de tratamento de resíduos PET e das mais económicas de sempre. E é possível que existam outras enzimas capazes de degradar outros tipos de plásticos.

Para já, os especialistas defendem que a Ideonella sakaiensis e as suas enzimas precisam de ser alvo de um estudo mais aprofundado.

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