"Qualquer ataque do exército de ocupação contra Rafah ameaçaria as negociações" sobre os reféns ainda detidos na Faixa, disse à AFP este responsável do Hamas, depois de o primeiro-ministro israelita confirmar a intenção de avançar com uma incursão militar nesta região onde estão atualmente cerca de 1,3 milhões de palestinianos.

Benjamin Netanyahu assegurou-o numa entrevista à cadeia norte-americana ABC, que será emitida hoje e da qual foram já adiantados alguns excertos.

“Vamos fazê-lo. Vamos acabar com os batalhões terroristas que restam em Rafah, que é o seu último bastião”, afirmou o primeiro-ministro israelita.

O governante insistiu ainda que a população civil de Rafah tem de “abandonar” a zona.

Apesar de governos e ONG internacionais terem avisado que os palestinianos já não têm para onde ir e que qualquer processo de saída será uma nova deslocalização forçada para qualquer lugar, Netanyahu, como já fizera na sexta-feira num primeiro anúncio, insistiu na ideia, sem dar detalhes sobre o destino da população.

“Vamos fazê-lo, enquanto abrimos caminho seguro à população para que saia”, indicou o primeiro-ministro antes de assegurar que o Governo está a trabalhar num “plano detalhado”.

“Parte do nosso esforço de guerra é impedir que os civis fiquem feridos. Parte do esforço de guerra do Hamas é que acabem assim”, declarou.

Recorde-se que há uns dias estava a ser negociado um outro possível acordo de cessar-fogo para libertar reféns e prisioneiros palestinianos, mas as conversações parecem estar estagnadas, já que o Hamas exige uma cessação definitiva das hostilidades e a retirada das tropas israelitas do enclave, algo a que Netanyahu se opõe fortemente.

O Hamas, que governa a Faixa de Gaza, alertou para "uma catástrofe e um massacre que poderão resultar em dezenas de milhares" de mortos se Israel avançar com a incursão em Rafah.

O chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Josep Borrell, afirmou que uma ofensiva em Rafah "resultaria numa catástrofe humanitária indescritível".

Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, afirmaram que não apoiam uma ofensiva terrestre em Rafah e avisaram que, se não for devidamente planeada, a operação pode conduzir a uma catástrofe.

O Presidente dos EUA, Joe Biden, descreveu na quinta-feira a resposta de Telavive ao ataque do Hamas a 07 de outubro como excessiva.

"Aqueles que dizem que não devemos entrar em Rafah estão, de facto, a dizer-nos que temos de perder a guerra e deixar o Hamas no lugar", respondeu Benjamin Netanyahu aos críticos.

*Com Lusa e AFP

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