“Os procuradores especiais indiciaram hoje o vice-presidente da Samsung Electronics Lee Jae-Yong (…) por corrupção, desfalque, ocultação de ativos no estrangeiro e perjúrio”, afirmou Lee Kyu-Chul, porta-voz da equipa que investiga o escândalo de corrupção e tráfico de influências que levou à destituição, ainda não definitiva, da Presidente, Park Geun-Hye.

A Samsung, o maior fabricante mundial de ‘smartphones’ e que representa um quinto da economia sul-coreana, vê-se novamente envolvida num escândalo, quando ainda está a tentar recuperar do problema do Galaxy Note 7, cujas baterias explodiam.

Vice-presidente da Samsung Electronics e filho do presidente do grupo, Lee Jae-Yong, 48 anos, é suspeito de ter pagado cerca de 40 milhões de dólares (cerca de 37 milhões de euros) em subornos à confidente de Park Geun-Hye, Choi Soon-Sil, conhecida como “Rasputina sul-coreana”, em troca de favores políticos.

Lee, que se tornou no patrão de facto da Samsung, depois de o seu pai ter sofrido um ataque de coração em 2014, está em prisão preventiva desde dia 17 e negou todas as acusações contra si.

Os seus colegas enfrentam acusações idênticas à exceção da de perjúrio.

O escândalo em causa centra-se em Choi Soon-Sil, amiga da presidente coreana, Park Geun-Hye, suspeita de ter usado pessoas para obrigar os grandes grupos industriais do país a “dar” quase 70 milhões de dólares (cerca de 65 milhões de euros) a duvidosas fundações por si controladas.

O Ministério Público considerou  a presidente Park como cúmplice no caso, ao ter permitido que Choi interviesse em assuntos de Estado — apesar de não deter qualquer cargo público.

Choi terá extorquido, com a sua conivência, os principais conglomerados do país para fazer entrar 77.400 milhões de won (cerca de 61 milhões de euros) em duas fundações que controlava, em troca de favores.

O parlamento, controlado pela oposição, aprovou a destituição da presidente a 9 de dezembro por causa daquele que é um dos maiores escândalos políticos da história recente da Coreia do Sul, uma decisão que terá de ser ratificada pelo Tribunal Constitucional para ser definitiva.

O Tribunal Constitucional tem até junho para decidir se Park tem de abdicar permanentemente ou pode voltar a assumir o cargo. Os seus poderes presidenciais estão entretanto suspensos, com o primeiro-ministro a liderar o Governo.

Caso a destituição de Park avance, a Coreia do Sul tem que realizar eleições presidenciais nos 60 dias seguintes.

Mesmo no caso de o Constitucional rejeitar o “impeachment” parlamentar, a Coreia do Sul vai realizar eleições presidenciais no próximo dia 16 de dezembro, já que o mandato de cinco anos de Park Geun-hye está prestes a expirar.

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