Segundo dados captados pelos satélites do órgão ligado ao Governo brasileiro, o total de pontos de incêndio no mês passado foi 11% maior do que o observado no mesmo período de 2021.

De acordo com o sistema de alarme do INPE, no primeiro semestre do ano, a Amazónia brasileira registou 7.533 focos de incêndios, um aumento de 17,9% face ao mesmo período de 2021.

Os dados também indicam que os incêndios na maior floresta tropical do planeta, que vinham diminuindo desde fevereiro, voltaram a ganhar força a partir de maio, quando começou o período de seca na região.

Em maio, o INPE registou 2.287 focos de incêndio na floresta Amazónia em território brasileiro.

Especialistas apontam que a maior parte dos incêndios é causada pelo desflorestamento, provocado principalmente pela apropriação ilegal de terras públicas para ocupação da pecuária e da agricultura, a mineração ilegal e o comércio ilícito de madeira.

Entre agosto de 2020 e julho de 2021, a Amazónia brasileira perdeu 13.235 quilómetros quadrados de cobertura vegetal, a maior área degradada num período de doze meses nos últimos 15 anos, uma devastação 21,97% maior do que em 2020 (entre agosto de 2019 e julho 2020).

Ambientalistas culpam o Governo do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, pela crescente devastação da floresta, que flexibilizou os controlos ambientais e promoveu atividades que destroem a vegetação nativa.

Bolsonaro também é citado como promotor de ocupações irregulares de áreas de floresta, por também defender a exploração económica da Amazónia e o fim da demarcação de novas reservas indígenas.

“Esse cenário se fortaleceu nos últimos três anos na Amazónia como resultado direto de uma política aplicada com sucesso que facilita e incentiva os crimes ambientais”, disse Cristiane Mazzetti, porta-voz do Greenpeace no Brasil, citada em nota.

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