Num comentário, aos jornalistas, no parlamento, sobre a frase do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em que disse que nas ditaduras não se noticiavam tragédias, o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Abreu Amorim afirmou tratar-se de “uma constatação de facto”.

“O PSD não interpreta essa frase como uma crítica a quem quer que seja. É evidente que só numa ditadura e num país onde não existe liberdade de expressão e onde as entidades oficiais e privadas estão manietadas no exercício das suas liberdades é que seria possível esconder uma realidade”, disse Abreu Amorim.

Na terça-feira à noite, minutos depois de ter sido divulgada a lista de mortos nos incêndios de Pedrógão Grande pelo Ministério Público, Marcelo Rebelo de Sousa evitou comentar, mas deixou a seguinte frase: “Em ditadura, lembro-me há 50 anos, era possível haver tragédias e nunca ninguém percebia bem qual eram os contornos das tragédias porque não havia um Ministério Público autónomo, juízes independentes e comunicação social livre. Em democracia há tudo isto.”

Hoje, já depois de o PSD ter desistido do debate no parlamento sobre a lista dos mortos e dos sociais-democratas terem sido criticados pelo Governo, PS e partidos de esquerda, Carlos Abreu Amorim usou o que disse o Presidente da República para dizer que não percebe porque o Governo demorou tanto tempo a divulgar a lista quando teve essa hipótese.

“Não se entende por que anda o Governo a promover esta lógica antidemocrática de passa-culpas”, acusou, depois de lembrar que a lista poderia ter sido divulgada enquanto esteve na dependência de organismos tutelados pelo executivo como o Instituto de Medicina Legal, Autoridade Nacional de Proteção Civil ou Polícia Judiciária, antes de transitar para o Ministério Público.

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