Este inquérito do INE surge depois de o organismo ter decidido não incluir no Censos 2021 uma pergunta sobre a origem étnico-racial dos cidadãos, como pretendia a maioria dos membros do grupo de trabalho criado em 2019 pelo Governo para avaliar a questão.

Na altura, o presidente do INE justificou a decisão com o facto de o Censos não ser o meio mais apropriado para a recolha dessa informação, já que são um recenseamento da população e não uma ferramenta para a sua classificação.

Agora, de acordo com o jornal Público, o inquérito-piloto vai avançar a 18 de outubro, devendo terminar no final de janeiro de 2022. As freguesias onde irá decorrer o inquérito-piloto serão União das freguesias de Cascais e Estoril, Alvalade, Avenidas Novas, União das freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, União das freguesias de Agualva e Mira-Sintra, Águas Livres, União das freguesias de Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto e Amora.

O diário, que já teve acesso a algumas perguntas do inquérito, noticia que os moradores das freguesias em questão vão ser chamados a responder por telefone, pela Internet ou a nível presencial a questões sobre a que grupo étnico-racial pertencem ou como se definiriam caso não se revejam nos grupos sugeridos: “Asiático, Branco, Cigano/Roma, Negro, Origem ou pertença mista.” Os entrevistados podem não responder, mas o inquiridor deverá perguntar de seguida “porque é que não se revê nestes grupos? Então como se definiria?”. 

Segundo o jornal, entre as questões está a forma como a pessoa se vê a si e como perceciona que os outros o vejam. Neste rol de questões, os entrevistados podem escolher três entre 18 opções para os caracterizem: a cor da pele, grupo étnico origem ou nacionalidade, estatuto migratório ou religião mas também sexo, estado de saúde, classe social, identidade de género e orientação sexual, sotaque ou forma de falar.

Também há perguntas quanto às condições socio-económicas dos inquiridos, de que forma é que consideram a sua origem, como descrevem a sua religião e se têm ou não práticas religiosas recorrentes, assim como a sua nacionalidade — e, no caso de não ser portuguesa, se fizeram pedido e como está a correr o processo.

No documento, questiona-se ainda quanto ao sentimento de pertença dos entrevistados e se já se sentiram discriminados, com que frequência, porquê e aonde é que isso aconteceu e se já fizeram queixa. Também é perguntado se os próprios já discriminaram outras pessoas e porquê.

O INE adiantou ao Público que este inquérito não serve para produzir resultados, mas para testar as perguntas porque tal iniciativa incorre em “operações estatísticas de grande complexidade, no que se refere, sobretudo, à preparação do questionário e ao desenho da amostra”.

O instituto refere que este tipo de testes é comum porque trata da “inquirição de matérias sensíveis e sobre as quais não existe experiência prévia de observação nas estatísticas oficiais em Portugal (pertença/identificação étnica e discriminação, por exemplo), nem um referencial ao nível do Eurostat”, pelo que “é recomendável preceder a operação principal por uma que permita testar o questionário numa pequena amostra da população-alvo, tipicamente através de um Inquérito Piloto”.

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