Os ex-ministros da Defesa Nacional Azeredo Lopes e Aguiar-Branco, o anterior chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte, e o ex-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Pina Monteiro, e os cinco coronéis exonerados e readmitidos duas semanas depois são os primeiros da lista indicada pelo BE.

O Bloco de Esquerda requereu as audições dos tenentes-generais Antunes Calçada e António Menezes, que se demitiram dos cargos em divergência com a forma como o ex-CEME Rovisco Duarte geriu a questão de Tancos, e dos ex-inspetores da Polícia Judiciária Militar envolvidos no caso do aparecimento do material militar.

O major Vasco Brazão, em prisão domiciliária, o coronel Luís Vieira, ex-diretor da PJM, arguidos no processo judicial, o coronel Manuel Estalagem, ex-diretor do departamento de investigação criminal da PJM, e o chefe de gabinete do então ministro Azeredo Lopes, general Martins Pereira constam também na lista do BE.

Os três militares da GNR de Loulé envolvidos na operação da PJM que levou à recuperação do material furtado, na Chamusca, Bruno Ataíde, Lima Santos e José Carlos Costa, um militar da GNR em serviço na PJM no Porto e o major Roberto Pinto da Costa, da PJM do Porto, são outras personalidades que deverão ser chamadas ao inquérito parlamentar.

O quer ainda ouvir os presidentes das associações socioprofissionais dos militares: tenente-coronel António Mota, presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, Mário Ramos, presidente da Associação Nacional de Sargentos e Luís Reis, presidente da Associação de Praças.

Contactado pela Lusa, o deputado do BE João Vasconcelos considerou que a ordem pela qual apresentou a listagem de personalidades “é a mais adequada” face objeto do inquérito parlamentar.

No requerimento, que deu hoje entrada, o BE solicitou o “envio de documentos” na posse da comissão parlamentar de Defesa “relativos aos `assunto Tancos´, não especificando a que documentos se refere.

Em declarações à Lusa, João Vasconcelos disse que o BE mantém a “posição de princípio” de defender que os documentos enviados pela Procuradoria-Geral da República que estão em segredo de justiça devem ser devolvidos.

Contudo, há outros documentos relativos ao caso do furto de Tancos em posse da comissão parlamentar de Defesa que o BE entende que podem ser remetidos à comissão de inquérito, acrescentou.

Quanto aos documentos em segredo de justiça, João Vasconcelos frisou que só na próxima reunião da comissão parlamentar de Defesa se poderá decidir o que fazer, frisando que “não podem andar de uma comissão para outra” sem que a PGR se pronuncie sobre essa possibilidade.

O objetivo da comissão de inquérito, que iniciou os trabalhos a 14 de novembro, é “identificar e avaliar os factos, os atos e as omissões” do Governo “relacionados direta ou indiretamente com o furto de armas em Tancos”, de junho de 2017, data do furto, ao presente, e “apurar as responsabilidades políticas daí decorrentes”.

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017.

Em setembro, a investigação do Ministério Público à recuperação do material furtado, designada Operação Húbris, levou à detenção para interrogatório de militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR e foi nessa altura que o CDS anunciou a comissão de inquérito, aprovada apenas com a abstenção do PCP e do PEV.

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