Acessível apenas através de um conjunto de estradas em terra batida, esta massa de água turquesa tornou-se num fenómeno nas redes sociais. Não é difícil entender porquê: de aspeto idílico em plena paisagem siberiana, têm-se espalhado fotografias paradisíacas em plataformas como o Instagram, de casais a beijarem-se em cima de pranchas, turistas a relaxar em bóias ou simplesmente a banhar-se num intenso azul daquelas que tem sido popularizadas como as "Maldivas Siberianas".

Contudo, costuma dizer-se que há coisas que são boas de mais para ser verdade e, se este lago parece alienígena, é porque o é. De natureza artificial, a água aqui depositada deve a sua cor à dissolução do óxido de cálcio e de outras substâncias tóxicas presentes nas cinzas descartadas pela empresa que administra o lago, uma central termoelétrica nas redondezas.

Segundo reporta o Washington Post, apesar de não estar envenenada, esta água não deixa de ter riscos de saúde para as pessoas, podendo causar desde irritações na pele até reações alérgicas. A popularização deste lago para propósitos recreativos levou a empresa que gere o local — a SGK — a fazer uma declaração no início de junho, dizendo que "andar no despejo de cinzas é como andar num local de treinos militares: perigoso e indesejável".

Mais tarde, a própria empresa fez uma publicação no VK, a rede social russa, reforçando o apelo a evitar o lago. "Pedimos especialmente que não caiam no despejo de cinzas enquanto tentam tirar selfies", foi escrito pela SGK, dizendo que esse é "o perigo principal". Possuindo uma natureza altamente alcalina, o lago, inclusive, tem o fundo lodoso, pelo que quem se vá lá banhar pode ficar preso neste reservatório.

Contudo, este aviso pouco fez para diminuir a afluência ao lago, sobrepondo-se a vontade de partilhar a experiência no local à prudência que a empresa pede. A popularidade do reservatório de Novosibirsk chegou a tal ponto que já foi criada uma conta de Instagram só com fotografias lá tiradas.

"Eu vim para tirar uma foto bonita. A nossa cidade é muito cinzenta e este é um dos únicos lugares bonitos", disse à AFP Alexei Sherenkov, um dos primeiros a ter popularizado este lugar com uma fotografia em que é visto numa boia em forma de unicórnio branco. Tirar esta foto custou-lhe uma irritação nos pés, que, segundo ele, já "desapareceu".

Por isso mesmo, Sherenkov não aconselha "ninguém a experimentar esta água", que tem um sabor "algo amargo" e "parece giz". O homem acrescentou ainda que a ausência de vigilância explica a presença de turistas no lago, onde alguns "até fazem churrascos".

Já à CNN, Marina Zheleznova, uma residente local, disse saber que o lago é tóxico e que, apesar ter ido tirar fotografias com o seu parceiro, não quis entrar na água. Contudo, apesar de Zheleznova e muitas outras pessoas apenas respeitarem os apelos de segurança em parte, deslocando-se ao lago mas não mergulhando, algumas pessoas têm-se mostrado mais propensas a riscos, fazendo piqueniques e experimentando banhar-se.

Casos como o deste lago em Novosibirsk têm-se repetido nos últimos anos, em que locais cujas características são apetecíveis para partilhar através de fotografias em redes sociais têm sido alvo de enchentes de pessoas em busca da "selfie" perfeita. Por exemplo, março deste ano, as autoridades de Lake Elsinore, cidade do estado da Califórnia, nos EUA, foram obrigadas a fechar os acessos aos seus campos de flores depois de decretarem uma crise de saúde pública.

Segundo um estudo de 2018, nos últimos seis anos morreram mais de 250 pessoas pelo mundo enquanto tentavam tirar uma fotografia de si próprias.

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