Catarina Martins subiu hoje ao púlpito do comício da noite, em Torres Novas, distrito de Santarém, para discursar, mas o mote já vinha de Lisboa, da arruada na zona do Chiado, recordando uma conversa com um trabalhador dos CTT sobre o avolumar dos problemas da empresa desde que esta foi privatizada.

No discurso, o alvo principal foi o PS e os avisos para os riscos da maioria absoluta que António Costa tem pedido para as eleições legislativas de 30 de janeiro.

“Depois de ter defendido a nacionalização dos mais variados setores logo após Portugal chegar à democracia e discutir como é que ultrapassávamos o atraso, o PS passou, anos depois, a ser o campeão das privatizações”, acusou.

Recuperando uma expressão do líder do PS no debate recente com o presidente do PSD, Catarina Martins atirou: “governar à Guterres, já agora, é isso mesmo, é ser campeão das privatizações”.

“Alguns membros do Governo atual começaram em funções nesse tempo, no campeonato das privatizações”, afirmou.

De acordo com a líder do BE, “o único período em que a ânsia privatizadora do PS foi contida e foi travada foi precisamente entre 2015 e 2019”, o período da geringonça.

“No contrato assinado com o Bloco de Esquerda estava proibida qualquer privatização e, mais do que isso, revertemos as privatizações dos transportes públicos em Lisboa e avançámos nos direitos das pessoas e avançámos contra o atraso”, enfatizou.

Na análise de Catarina Martins, à medida que a campanha vai evoluindo, “seja pelo modo como a direita conduz a campanha, seja pelo modo como o PS se dirige ao país”, a decisão que os eleitores terão de tomar “fica mais clara”: “ou uma maioria absoluta do PS ou um contrato para o país que permita avanços onde o PS os tem travado”.

“Sabemos que os grandes interesses económicos, que ganharam com os processos de privatização, que ganham com a economia de privilégio, vão preferir sempre uma maioria absoluta”, defendeu.

No entanto, para a líder do BE, “o povo deste país que trabalha, que é tão esforçado, sabe bem que a maioria absoluta é a maior inimiga da sua estabilidade” e que os bloquistas serão “a força de um contrato para Portugal que resolva o atraso estrutural do país e que responda pelo que é mais importante”.

Com uma maioria absoluta do PS, "os CTT continuarão a ser destruídos pelos acionistas e EDP continuará a assaltar o país com a economia do privilégio", alertou Catarina Martins, comprometendo-se a "equilibrar os pratos da balança" com a força que tiver nas urnas.

A continuidade da precariedade como regra, as escolas esvaziadas de professores, os médicos a abandonarem o SNS, os vistos gold, as transferências para offshores e os benefícios fiscais são alguns dos outros riscos da maioria absoluta do PS, elencou a dirigente bloquista.

"Portugal tem todas as condições para abrir um novo ciclo que responda pelo país", defendeu, considerando que a "força do BE" será aquela que dará expressão à maioria social que, entre outras coisas, que salvar o SNS.

"Aqui estamos para abrir as portas a esse novo ciclo", garantiu Catarina Martins.

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