Questionado pelos jornalistas relativamente às críticas de Pires de Lima num artigo de opinião no Expresso, Francisco Rodrigues dos Santos insurgiu-se contra as “tentativas públicas para desestabilizar” o CDS “a soldo de versões sobre a vida do partido que não têm a mínima adesão à realidade”.

“Este partido é dos militantes e é dos portugueses, não é de barões, e eu creio que esta lição já devia ter sido aprendida há muito tempo através desta nova liderança do CDS”, frisou o presidente centrista, em declarações na sede do partido, em Lisboa, acrescentando que o CDS também "não é um partido de um homem só".

"O CDS, como eu já disse tantas vezes, é uma locomotiva em andamento, e eu prefiro falar das pessoas que estão dentro desta locomotiva do que daquelas que preferiram ficar na estação”, afirmou Francisco Rodrigues dos Santos, destacando aqueles que se juntaram a este “momento importantíssimo para a clarificação do partido”.

Num artigo de opinião publicado no semanário Expresso, o antigo ministro da Economia António Pires de Lima critica a atual liderança do CDS e dá conta de que deixou o Grupo para a Recuperação Económica e Social de Portugal (GRESP), para o qual foi convidado pelo líder do CDS.

Pires de Lima afirma estar “muito preocupado” com o CDS, que considera reduzido “à dimensão de um homem só”, e diz esperar que “o partido acorde e a direção assuma um estilo de liderança mais plural e uma intervenção menos proclamatória e mais substancial”.

“O CDS faz muita falta à democracia portuguesa e não devia acabar assim”, acrescentou.

O GRESP, do qual fazem parte também os antigos dirigentes centristas Luís Nobre Guedes e António Lobo Xavier, entre outras personalidades, foi anunciado em junho e Pires de Lima justifica a sua saída com o facto de o grupo não se ter reunido até agora.

Esta versão é desvalorizada pelo presidente do partido, que afirmou hoje que têm existido reuniões setoriais, desde há dois meses, “em áreas onde o CDS já apresentou propostas”, mas assumiu que “esta é a primeira reunião presencial de todos os elementos do grupo”.

No final desta primeira reunião alargada do GRESP, o presidente do CDS apontou que este grupo tem como "objetivos primordiais" "demonstrar a relevância do CDS como partido que é útil a Portugal e aos portugueses, que tem soluções para estes tempos e que consegue apresentá-las de forma esclarecida e benéfica" e apresentar "respostas úteis mas também de bom senso que dispensam os histerismos coletivos baseados em radicalismos e em quimeras que não podem ser concretizadas".

Este grupo vai apresentar um programa para Portugal "de forma faseada, gradual e tematizada" e pretende "pensar o país a curto e a médio prazo", tendo como primeiro desafio o Orçamento do Estado.

De acordo com Francisco Rodrigues dos Santos, CDS pretende focar-se no "apoio às famílias, proteção dos rendimentos, na escola, e também um apoio consistente às crianças, aos jovens e aos mais idosos", no apoio às empresas e ao emprego, implementando um clima de "competitividade fiscal", e ainda na defesa de um Estado forte do ponto de vista social, na saúde e na segurança.

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