O líder do Partido Social Obreiro Espanhol, Pedro Sánchez, advertiu o primeiro-ministro que a “única resposta” que se admite para o caso Gürtel é a sua demissão, sublinhando que há tempos que já o deveria ter feito.

O líder do PSOE sugeriu ainda a Rajoy que se demita, se quiser evitar sair do poder através de uma moção de censura.

“Demita-se agora e tudo terminará. O seu tempo já acabou. Demita-se e esta moção de censura acabará aqui e agora”, afirmou Sánchez.

Pedro Sánchez afirmou também que nunca antes uma moção de censura, como a que se debate hoje no Congresso espanhol contra Mariano Rajoy, havia sido “tão necessária” como agora para garantir uma “higienização democrática” em Espanha.

“A maior irresponsabilidade seria não apresentar uma moção de censura contra quem é merecedor de uma evidente reprovação política desta Câmara”, disse Sánchez durante a sua intervenção no debate da moção de censura contra o chefe do Executivo espanhol.

A justiça espanhola aplicou, na semana passada, penas elevadas a uma série de políticos e empresários envolvidos num esquema de corrupção que ajudou a financiar o Partido Popular.

O empresário Francisco Correa, considerado o “cérebro” do “caso Gurtel”, foi condenado a mais de 52 anos de prisão e Luis Barcenas, o ex-tesoureiro do PP, a 33 anos de prisão e ao pagamento de uma multa de quatro milhões de euros.

Durante o julgamento, Francisco Correa explicou um esquema em que entregava “envelopes” com dinheiro a funcionários públicos e responsáveis políticos eleitos pelo PP, para ajudarem certas empresas “amigas” a ganharem contratos de direito público.

Na sua intervenção no debate, Mariano Rajoy criticou o PSOE por fazer uma interpretação “livre, interessada e manipulada” da sentença do caso Gürtel, que não tem “uma linha de condenação ao Governo e ao PP (Partido Popular, do chefe do Executivo espanhol)”.

Mariano Rajoy disse que a moção de censura funciona como um “oportunismo a serviço de uma ambição pessoal” de Pedro Sánchez para chegar ao poder.

O primeiro-ministro ironizou o facto dos socialistas chamarem a moção de "resposta firme, serena, constitucional e de Estado", referindo que é uma definição que "soa bem" até que se conheça os apoios com os quais o PSOE pretende contar.

Em seguida, observou, que a moção de censura é "uma contradição pura, logicamente impossível e uma provocação".

O primeiro-ministro também acusou o secretário de Organização do PSOE, José Luis Ábalos, de mentir ao dizer no congresso que a sentença do caso condena o PP e ao seu Governo.

“O PP não é um partido corrupto, ainda que não goste” sublinhou o primeiro-ministro.

José Luis Ábalos, o primeiro a falar no debate, defendeu a aprovação da moção de censura contra Mariano Rajoy, referindo ainda que o país necessita de políticas “de verdade” para garantir uma Espanha unida, como sempre tem sido, e para se poder começar a trabalhar se querem algo fundamental: “instituições fortes e credíveis”.

Ábalos reiterou que é necessário primeiro “a censura, depois a estabilidade e, em terceiro, as eleições”.

O parlamento espanhol começou hoje a discutir, e vota na sexta-feira, uma moção de censura ao primeiro-ministro, Mariano Rajoy, apresentada pelo PSOE, que até ao último minuto vai ter dificuldade em conseguir os apoios necessários à sua aprovação.

Os socialistas espanhóis são a principal força política da oposição e propõem que o seu líder, Pedro Sánchez, substitua Rajoy na chefia do executivo, mas apenas têm 84 deputados, muito longe dos 176 (metade da assembleia de 350 mais um) necessários.

Os “barões” e líderes regionais do PSOE exigiram a Sánchez que não faça qualquer tipo de acordos com partidos separatistas, como a Esquerda Republicana Catalã (9 deputados) ou o Partido Democrático e Europeu da Catalunha (8 deputados) do ex-presidente daquela região espanhola.

O Unidos Podemos (67) é terceira maior força no parlamento e até agora o único partido que assegurou o apoio à moção socialista, ao qual se juntaram o Compromís (4, nacionalistas valencianos) e a Nueva Canarias (1, nacionalista das Canárias), o que totaliza 156 votos a favor da moção.

O campo contra a moção conta com 167 votos divididos pelos deputados do PP (134), do Cidadãos (32, direita liberal) e da Coligação Canária (1, nacionalista das Canárias).

Pedro Sánchez terá, assim, de obter o apoio de pequenos partidos regionais, nacionalistas e separatistas.

O chefe do executivo espanhol assegurou na quarta-feira em Madrid que não tem qualquer intenção de se demitir.

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