"O Livre exige a demissão do ministro da Administração Interna", escreveu o partido hoje, num comunicado enviado às redações.

No texto, o Livre argumenta que "perante todos os factos já apurados e não havendo confiança neste ministro para conduzir a profunda reformulação que é exigida no SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras]",  Eduardo Cabrita "não tem condições para continuar no cargo".

O partido da papoila disse ter assistido "estupefacto" à conferência de imprensa de quinta-feira dada pelo ministro Eduardo Cabrita e pela ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, no final do Conselho de Ministros, que decidiu que o Estado português vai indemnizar a família de Ihor Homeniuk, o cidadão ucraniano morto por inspetores do SEF em março.

Caracterizando a indemnização como um ato "justo", o Livre considerou-o, no entanto, "insuficiente para uma atuação satisfatória por parte do Estado português", criticando as declarações do ministro sobre o caso.

"É inaceitável que, no contexto em causa, o ministro tenha como prioridades "congratular-se" pela indignação geral em torno do caso, afirmar-se como um paladino dos direitos humanos e de centrar as suas declarações na sua própria posição política", apontaram.

Na quinta-feira, em conferência de imprensa, sobre o caso da morte de Ihor Homenyuk em particular, Eduardo Cabrita repetiu que o seu ministério tomou todas as medidas necessárias e devolveu todas as críticas, acusando partidos, comentadores e comunicação social de não terem dado a atenção devida ao tema.

"Bem-vindos ao combate da defesa dos direitos humanos", disse em tom sarcástico, sublinhando que a sua determinação neste âmbito "é de sempre e não começou em março e, muito menos, nas últimas semanas".

O primeiro-ministro, António Costa, garantiu no mesmo dia, em Bruxelas, que mantém "total confiança" no ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, considerando que "foi o ministro que fez o que lhe competia" no caso da morte do cidadão ucraniano Ihor Homenyuk.

A 30 de março foram detidos pela PJ os três inspetores do SEF suspeitos de estarem implicados nas agressões e o MAI demitiu os responsáveis do SEF na direção de fronteiras no aeroporto.

A morte de Ihor Homenyuk levou à acusação de três inspetores do SEF por homicídio qualificado, que estão em prisão domiciliária e cujo julgamento vai começar no próximo ano.

O caso levou à demissão do diretor e do subdiretor de Fronteiras do aeroporto de Lisboa e, na quarta-feira, da diretora do SEF, Cristina Gatões, e à instauração de 12 processos disciplinares.

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