"Hoje não é um dia feliz para o partido Livre", disse Pedro Mendonça, em conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, acrescentando que "não foi uma decisão fácil ou pouco discutida".

A 44.ª Assembleia do Livre ratificou assim, com a totalidade dos 41 membros presentes - 34 votos favoráveis e sete contra - a deliberação da reunião realizada antes do IX Congresso, que já tinha proposto a retirada de confiança política à deputada. Contudo, o congresso decidiu remeter para os novos órgãos uma decisão final.

Segundo Pedro Mendonça, "as divergências que levaram ao divórcio e rutura não são de todo pessoais, são políticas", afirmando que Joacine Katar Moreira "não aceitou" que as decisões fossem tomadas coletivamente ou "o mínimo conselho dos seus camaradas".

O porta-voz esclareceu que o Livre não irá pedir a Joacine Katar Moreira que renuncie ao mandato e que se a deputada o fizer será por sua vontade.

Fonte do partido disse que o Livre comunicou a Joacine Katar Moreira, ainda durante a madrugada, a decisão da Assembleia, por email.

Pedro Mendonça disse ainda que a Joacine "confundiu autonomia com desresponsabilização" e que, a partir de hoje, o partido vai "iniciar o debate interno para alterar métodos de escolha dos candidatos". "Esta minha afirmação não significa que umas melhores primárias não dessem a eleição de Joacine Katar Moreira", reforçou.

"Isto não é só um dia triste para o partido, isto tem danos no partido. Temos consciência de que andámos a lutar anos e anos por representação parlamentas, mas tínhamos de fazer uma escolha. Podíamos ficar por manter o cargo público ou defender aquilo que acreditamos ser o melhor para o mundo. Sabemos que vamos pagar por isso, mas estamos conscientes e disponíveis, dispostos e com garra para isso. O Livre ja foi dado como morto várias vezes, mas essa sentença de morte era manifestamente exagerada. Quero pensar que as pessoas voltam a acreditar", disse.

A Assembleia do Livre retirou a confiança política a Joacine Katar Moreira, deputada única pelo partido no parlamento, depois de uma reunião que durou mais de sete horas.

Esta foi a primeira vez que um partido político que elegeu em legislativas ficou sem representação parlamentar.

A 44.ª Assembleia do partido decidiu retirar a confiança política à deputada numa reunião em que estiveram presentes todos os membros da atual Assembleia do Livre, incluindo alguns elementos do Grupo de Contacto (Direção).

Esta reunião aconteceu depois do IX Congresso do Livre que decidiu adiar uma decisão sobre a retirada da confiança política a Joacine Katar Moreira, que se exaltou e chegou a acusar elementos do partido de mentirem.

Os desentendimentos entre deputada e partido começaram no final do mês de novembro de 2019, na sequência da abstenção de Joacine Katar Moreira num voto no parlamento sobre a Palestina.

No seguimento dessa abstenção, o partido decidiu não sancionar a deputada mas lamentou as suas declarações públicas.

Joacine Katar Moreira não marcou presença na reunião, nem o advogado e membro do Conselho de Jurisdição, Ricardo Sá Fernandes. Rui Tavares, membro fundador, participou via ‘online', por razões profissionais dado que estava fora do país.

A reunião, que começou na quinta-feira à noite, teve início com uma votação que decidiu o carácter reservado da Assembleia.

Retirada a confiança política, segundo o artigo 11.º do regimento da Assembleia da República (AR), a deputada terá agora que comunicar tal facto ao Presidente da AR, Eduardo Ferro Rodrigues, para passar à condição de deputada não-inscrita.

Passando a ser deputada não-inscrita, Joacine perde alguns direitos, entre eles a possibilidade de questionar o primeiro-ministro nos debates quinzenais e as declarações políticas  passam de três para duas em cada ano da legislatura.

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