O pacto foi selado há alguns dias entre os três países e visa desenvolver submarinos de propulsão nuclear para a Austrália, um acordo que provocou um forte descontentamento da França, cujo contrato de defesa com os australianos foi cancelado.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, respondeu hoje às acusações da França de que Camberra tinha mentido sobre a sua intenção de quebrar um contrato para comprar submarinos franceses, dizendo que tinha levantado preocupações sobre a questão “há alguns meses”.

“Penso que teriam tido todas as razões para saber que tínhamos reservas profundas e sérias de que as capacidades do submarino da classe Attack não satisfaziam os nossos interesses estratégicos e tínhamos deixado claro que tomaríamos uma decisão baseada no nosso interesse estratégico nacional”, disse Scott Morrison durante uma conferência de imprensa em Sidney.

E acrescentou: “Não lamento a decisão de colocar o interesse nacional da Austrália em primeiro lugar. Nunca me arrependerei”.

Para Scott Morrison, teria sido “negligente” ir em frente contra os conselhos dos serviços de inteligência e defesa da Austrália.

O ministro da Defesa, Peter Dutton, insistiu que o seu país tinha sido “franco, aberto e honesto” com a França acerca das suas preocupações sobre o acordo, que estava acima do orçamento e com anos de atraso, e que manifestou pessoalmente essas preocupações à sua homóloga francesa, Florence Parly.

Os Estados Unidos, a Austrália e o Reino Unido anunciaram na quarta-feira uma parceria estratégica que inclui o fornecimento de submarinos americanos movidos a energia nuclear a Camberra.

França tinha assinado um contrato de 56 mil milhões de euros, em 2016, para fornecer à Austrália 12 submarinos movidos a diesel, frequentemente referido como o “contrato do século” devido à sua dimensão e significado estratégico.

Para a nova secretária britânica dos Negócios Estrangeiros, Liz Truss, este acordo entre os Estados Unidos, a Austrália e o Reino Unido demonstram o empenho do seu país na estabilidade na região Indo-Pacífico.

Num artigo publicado na edição de hoje do Sunday Telegraph, Truss não faz qualquer referência específica a França, mas sublinha o compromisso com o Indo-Pacífico e a disponibilidade do seu país para ser decisivo na defesa dos seus interesses.

“As liberdades precisam de ser defendidas, por isso também estamos a construir fortes laços de segurança em todo o mundo”, escreveu Truss.

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