Para além da fotografia que o apresenta na sua conta pessoal de Twitter, a de um gato de óculos de sol, pouco mais se sabia, até hoje, sobre 'Malware Tech', o jovem que impediu um ataque informático que afetou empresas em todo o mundo. Foi a partir do pequeno quarto na casa dos seus pais, em Devon, Inglaterra, que um jovem de 22 anos realizou este feito, com o registo de um domínio web pela módica quantia de 10 euros, que funcionou como o "interruptor" para parar o ciberataque.

Juntamente com Darien Huss, da empresa de segurança Proofpoint, 'Malware Tech' verificou que o software malicioso estava ligado a um endereço demasiado longo e que o domínio não estava registado, o que travou acidentalmente o ciberataque. Este 'interruptor' permitia ao criador do vírus pará-lo caso quisesse impedi-lo de se espalhar mais.

'Malware Tech' interrompeu um ciberataque internacional potencialmente devastador. Na sexta-feira, dia 12 de maio, cerca de 100 países sofreram um ciberataque, afetando organismos e empresas como bancos na Rússia, hospitais no Reino Unido e a operadora de telecomunicações espanhola Telefónica, bem como algumas empresas portuguesas, entre elas a PT, Vodafone, EDP, KPMG e NOS.

O primeiro relato do ciberataque 'WannaCry' surgiu em Espanha, com a imprensa a noticiar que um vírus desconhecido provocou a paragem dos computadores afetados, ficando o monitor azul e tendo aparecido nalguns equipamentos uma mensagem a pedir o pagamento de uma quantia em ‘bitcoins', uma moeda virtual desenvolvida fora do controlo de qualquer Governo.

O diretor da Europol, Rob Wainwright, revelou ontem que o ciberataque de sexta-feira provocou 200 mil vítimas, a maioria empresas, em pelo menos 150 países.

Sobre a identidade de 'Malware Tech', o The Telegraph avança com a informação de que este se chama Marcus Hutchins e que se encontra a trabalhar para o Centro Nacional de Segurança Cibernética do governo inglês para evitar um novo ataque. Segundo a Europol, há a suspeita de que haja uma réplica esta segunda-feira.

O alegado responsável por travar momentaneamente o vírus também alertou para este facto na sua conta do Twitter.

O The Guardian cita o jovem e dá mais alguns dados sobre ele. "Eu não sou licenciado. Tinha planeado ir para a universidade, mas acabaram por me oferecer um emprego seguro um ano antes e aproveitei. Sou completamente autodidata, então a universidade provavelmente não valeria o tempo ou o dinheiro gastos".

Sabe-se também que o 'Malware Tech' esteve presente na DEF CON, a maior convenção anual do mundo para hackers, em Las Vegas.

Quanto ao seu trabalho, garantiu que se dedica a "fazer o rastreio e parar malware", tendo registado "vários milhares desses domínios no ano passado". Foi graças a este conhecimento que ajudou a parar o 'WannaCry', de forma acidental. E ainda brincou com isto: "Só posso adicionar ao meu currículo 'parei acidentalmente um ciberataque internacional'".

Kurtis Baron, fundador da Fidus Information Security, que esteve com Hutchins na convenção em Las Vegas, diz ao The Telegraph que o jovem é um “bom amigo e também um parceiro de negócios, que estava apenas a fazer o seu trabalho.” Kurtis disse ainda que este era uma mais-valia para a sua empresa, mas que ele nunca aceitaria o trabalho porque não vê o que faz “como um emprego, mas como uma paixão pela qual é pago”.

[Notícia atualizada às 14h26]

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