Marcelo Rebelo de Sousa assinalou assim o dia nacional da língua gestual portuguesa, numa cerimónia na Sala das Bicas do Palácio de Belém que contou com a presença do ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e da secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência.

Perante uma assistência composta por dezenas de jovens surdos, o chefe de Estado referiu que a língua gestual portuguesa é "o terceiro idioma do país, juntamente com a língua portuguesa e o mirandês" e afirmou: "Nós somos todos diferentes, e essa é a nossa força".

"A estrutura do portal da Presidência da República já permitia aos utilizadores invisuais tirar o máximo o partido das tecnologias de leitura de ecrã. Hoje é dado mais um passo, com a disponibilização de vídeos com tradução para língua gestual portuguesa e também com legendagem", anunciou, em seguida.

Antes, interveio o presidente da Federação Portuguesa das Associações de Surdos, Pedro Costa que, em língua gestual portuguesa, disse que "hoje é um dia de festa", mas falou das barreiras e desigualdades que persistem para a comunidade surda.

"Uma pessoa surda não tem forma de comunicar no Sistema Nacional de Saúde", exemplificou. "No ensino superior não existe um intérprete de língua gestual portuguesa, estamos a tentar há muitos anos", lamentou.

Pedro Costa acrescentou que a Federação Portuguesa das Associações de Surdos quer "trabalhar com a Presidência da República na divulgação da língua gestual portuguesa entre os diferentes ministérios".

O Presidente da República agradeceu em língua gestual portuguesa e começou por "cumprimentar o Governo pelas medidas já anunciadas e que estão em concretização em muitos domínios que têm a ver com as preocupações aqui expressas pelo senhor presidente da Federação Portuguesa de Surdos".

Depois, elogiou a intervenção de Pedro Costa e o ativismo do movimento associativo de surdos, relatando: "Cinco dias depois da tomada de posse já aqui tinha chegado uma carta a pedir uma reunião para apresentar uma ideia".

"E a ideia era esta: encontrar uma forma para que os cerca de 150 mil portugueses que têm, em diferentes graus, surdez, pudessem acompanhar o que o Presidente da República quer dizer ao país. E para isso ofereciam os seus próprios meios, intérpretes e meios técnicos", contou.

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou-se reconhecido por essa iniciativa, que levou o portal da Presidência da República a tornar-se numa "plataforma mais acessível".

Esta cerimónia terminou com a atuação do grupo "Mãos que cantam", um projeto musical desenvolvido pelo maestro Sérgio Peixoto com alunos surdos da Universidade Católica Portuguesa.

O grupo interpretou o fado "Com que Voz", de Amália Rodrigues, numa "adaptação poética para língua gestual portuguesa", como descreveu o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa aplaudiu o grupo abanando as mãos na vertical, juntamente com todos os presentes.

"Trata-se de um projeto inovador único em toda a Europa, a quem também agradeço a disponibilidade para estar aqui presente", declarou.

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