Questionado pelos jornalistas junto ao mercado municipal da Ericeira, ser faria sentido manter a realização da Festa do Avante! depois de já terem sido celebrados o 25 de abril ou o 1º de maio, Presidente da República recordou que "são coisas diferentes".

"O 1º de maio, como o 25 de abril e o 10 de junho, são cerimónias nacionais, a corresponder feriados nacionais. Pareceu-me a mim óbvio que se não não dissesse que a democracia estava suspensa com o estado de emergência, poderiam ser celebrados, simbolicamente", disse Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República deu como exemplos as comemorações do 25 de abril, e apontou que “o 10 de junho, sendo organizado pela Presidência da República, será simbólico”, não deixando de referir à polémica das comemorações organizadas pela CGTP no início do mês. "Sabem também que o meu pensamento para o 1º de Maio era uma comemoração simbólica", sublinhou.

Já para Marcelo, "outra coisa são atuações, atividades e celebrações de partidos, de organizações sociais, políticas ou da sociedade civil", onde se insere a Festa do Avante!, evento organizado pelo PCP onde às atividades políticas juntam-se atividades de lazer, como concertos ao vivo.

O Presidente da República disse que a decisão é das "autoridades sanitárias", que "em função da situação sanitária vivida em determinado momento", devem "dizer o que é possível ou não fazer".

No entanto, Marcelo deixou uma ressalva: "tem de valer para todos. O que se disser, vale para A, para B, para C, para D ou para E".

A título de exemplo, o governante disse nutrir vontade de ir à festa do Viso, "uma festa tradicional em Celorico de Basto que reúne milhares de pessoas", adiantado que "tem de se esperar para ver", pois "as autoridades sanitárias dirão em relação a iniciativas não apenas partidárias, mas também populares, sociais, festas tradicionais e romarias, se sim ou se não e em que condições sanitárias".

A este respeito, o Presidente da República então atirou: “Há várias instituições que organizam as suas iniciativas e a avaliação sanitárias há de valer da mesma maneira para todas. Não me parece que o vírus mude de natureza de acordo com a natureza das iniciativas".

O tema tem estado envolto em polémica desde que o Governo avançou com uma proposta de lei — entretanto aprovada na Assembleia da República — que, respondendo à emergência sanitária da covid-19, proíbe até 30 de setembro, a realização de “festivais e espetáculos de natureza análoga”, ou seja, não só a festivais de música, como outros grandes ajuntamentos.

Estando marcada para os dias 4, 5 e 6 de setembro, a edição deste ano da Festa do Avante! poderá estar então em risco de não ocorrer. O PCP defende que "A Festa do Avante! não é um simples festival de música, é uma grande realização político-cultural que se realiza desde 1976", e o seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa,  admitiu que a sua organização este ano poderá sofrer alterações para respeitar a decisão das autoridades sanitárias, dizendo que “os comunistas portugueses são muito criativos”.

Questionado quanto a este tema, o primeiro-ministro, António Costa, disse que a Festa do Avante! poderá realizar-se desde que sejam cumpridas as orientações sanitárias da Direção-Geral da Saúde (DGS), porque a atividade política dos partidos “não está proibida”.

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