Em declarações aos jornalistas, na Casa de Retiro de Nossa Senhora das Dores, em Fátima, o chefe de Estado defendeu que "Portugal é um país muito seguro" e "não há problema nenhum de segurança" relacionado com esta visita do líder da Igreja Católica. Por isso, disse não ter "nenhum medo".

Sobre o encontro que terá hoje com o papa Francisco, Marcelo Rebelo de Sousa não quis antecipar esse diálogo, "até porque há uma dose de inesperado e de improviso nessas conversas", e afirmou: "Não estou nervoso. Já fui recebido pelo papa. É uma pessoa que pacifica, acalma, aquieta, não enerva."

O Presidente da República já dormiu em Fátima esta noite e hoje de manhã visitou a Casa de Retiro de Nossa Senhora das Dores, antes de seguir para a Base Aérea de Monte Real, em Leiria, para receber o papa, perto das 16:00.

À chegada, foi saudado com palmas por peregrinos que estavam à entrada e falou aos jornalistas, considerando que hoje é um dia "muito importante para todos, portugueses, para Portugal, muito importante", e expressando "uma grande alegria".

Depois, Marcelo Rebelo de Sousa visitou esta casa de retiro, acompanhado pelo bispo de Leiria-Fátima, António Marto, e recebeu um grupo de ex-militares ciclistas que viajaram até Fátima desde Roma.

Questionado se se sente um anfitrião do papa Francisco, respondeu: "Todos os portugueses são anfitriões, e nomeadamente o Santuário é o grande anfitrião. Mas é evidente que o papa, vindo a Fátima, vem também a Portugal."

Segundo o Presidente, este é um dia "muito importante", porque ser a primeira visita do papa Francisco a Portugal e coincidir com o centenário das "aparições" e com a criação de "dois novos santos portugueses", os pastorinhos Jacinta e Francisco Marto.

Por outro lado, considerou que "todos os papas são especiais, como é natural, mas o papa Francisco traz consigo uma projeção para além do povo católico, uma projeção universal, num momento difícil da humanidade, com o apelo à paz e o apelo à fraternidade".

"Portanto, são muitas realidades somadas que tornam esta visita diferente das outras", concluiu.

Interrogado sobre o caráter inédito da canonização de duas crianças, comentou: "É realmente uma realidade nova, mas a Igreja é feita dessa mudança também".

Sobre o papa Francisco, o chefe de Estado disse que representa, para a sua geração, "o Vaticano II, e uma visão que não é concentrada na Europa".

"E a nós, portugueses, isto também diz muito. Nós temos uma presença em comunidades por todo o mundo", acrescentou.

No seu entender, a mensagem principal deste papa "é a paz: paz no mundo, paz em todos os continentes, paz no relacionamento entre as potências, paz nas zonas onde há conflitos que se multiplicam, paz no acolhimento em relação a migrantes e refugiados".

Quanto ao tempo que Francisco terá para a sua ação na Igreja Católica, Marcelo Rebelo de Sousa declarou: "Veremos. É uma instituição com milénios, portanto, que não muda por revolução, muda por transformação contínua, papa após papa. Um papa lança determinado tipo de sementes".

"João Paulo II lançou a ideia da nova evangelização na Europa descristianizada, que foi Bento XVI que continuou. Bento XVI lançou o combate ao drama da pedofilia, coube ao papa Francisco continuar. O papa Francisco lança o apelo para o universo, para a ida para as periferias, ainda mais diretamente para os mais pobres, explorados, carenciados. Com a reconversão da Igreja em muitos aspetos, provavelmente, o seu sucessor continuará", completou.

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