A grande manifestação independentista pacífica terminou ao final da tarde, no centro de Barcelona, mas pouco depois grupos radicais começaram, pelo quinto dia consecutivo, a provocar as forças de ordem.

Segundo a Guarda Urbana, cerca de 525.000 pessoas vindas de toda a Catalunha participaram numa grande manifestação convocada pelos sindicatos independentistas contra a condenação dos políticos envolvidos na tentativa separatista de 2017.

Esta concentração teve lugar no Passeio de Grácia, no centro de Barcelona, num dia de “greve geral” na Catalunha convocada por esses sindicatos, tendo contado com milhares de pessoas vindas a pé em seis “Marchas pela Liberdade” saídas na terça-feira de diferentes cidades da comunidade autónoma.

Assim que esta concentração foi desconvocada, manifestantes independentistas radicais, na sua maioria jovens de cara tapada, começaram a lançar pedras e garrafas de água cheias em direção da polícia numa avenida não muito longe, na Via Laietana.

Ponto por ponto, o relato dos confrontos violentos com a polícia e os grupos radicais que marcam o quinto dia consecutivo de protestos

  • "Greve geral" com taxa de participação "díspar". Segundo o Governo regional separatista, a paragem de trabalho, que não contou com o apoio das grandes centrais sindicais espanholas – Comissões Obreras e União Geral dos Trabalhadores (UGT) —, teve taxas de participação elevadas no setor do comércio (entre 60% e 80%), educação pública (42,5%) e universidades (90%) e menor na função pública (35%) e na saúde (20%).
  • Um total de 35 pessoas ficaram feridas durante os protestos. O balanço, feito pelo Sistema de Emergência às 20:00 locais (19:00 em Lisboa), refere que a maior parte dos pedidos de ajuda médica (25) aconteceu na cidade de Barcelona, onde têm decorrido confrontos entre a polícia e manifestantes violentos.

Marchas de protesto

As marchas partiram de Girona, Vic (Barcelona), Berga (Barcelona), Tàrrega (Leda) e Tarragona e ao longo do percurso causaram cortes intermitentes em importantes estradas da Catalunha, como a AP7 e a A2.

Segundo a Agência EFE, as marchas fizeram percursos a pé de aproximadamente 100 quilómetros até chegar à capital catalã.

As duas primeiras marchas, vindas de Vic e Berga, entraram pouco depois do meio-dia na cidade, seguindo pela Avenida Meridiana, uma das principais artérias da cidade.

A greve geral foi convocada pelos sindicatos independentistas Intersindical-CSC e Intersindical Alternativa de Catalunya (IAC), em protesto contra a condenação pelo Tribunal Supremo espanhol dos 12 dirigentes políticos. A Unión General de Trabajadores (UGT) e a Confederación Sindical de Comisiones Obreras (CC.OO) demarcaram-se do protesto por não o terem convocado.

O El País, que está a acompanhar o protesto em direto, refere que há cerca de 20 estradas fechadas, estações de metro encerradas e dezenas de tratores nas ruas. Pelo menos 55 voos foram cancelados no aeroporto de Barcelona-El Prat devido à greve geral decretada pelos sindicatos independentistas. A maior parte das ligações aéreas (36) são da companhia Vueling que comunicou o cancelamento dos voos na quinta-feira como “medida preventiva”.

créditos: Lusa

A razão dos protestos

O Supremo Tribunal espanhol condenou na segunda-feira os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha em 2017 a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, desencadeando movimentos de protesto de grupos de independentistas em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

O ex-vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, foi condenado, por unanimidade, a 13 anos de cadeia por delito de sedição e má gestão de fundos públicos.

Foram condenados a 12 anos de cadeia os ex-conselheiros Jordi Turull (ex-conselheiro da Presidência), Raul Romeva (ex-conselheiro do Trabalho) e Dolors Bassa (ex-conselheira para as Relações Exteriores) por delitos de sedição e má gestão.

O antigo titular do cargo de conselheiro do Interior Joaquim Forn e Josep Rull (Território) foram condenados a 10 anos de cadeia.

Jordi Cuixart, responsável pela instituição Òmnium Cultural, foi condenado a nove anos de prisão por sedição.

O ex-presidente da Generalitat, Carles Puigdemont, sob o qual recaía uma nova ordem de detenção e extradição, apresentou-se esta sexta-feira voluntariamente às autoridades belgas, mas foi libertado sem fiança, apesar das várias medidas cautelares.

Os factos reportam-se a 2017, sendo que os magistrados entendem que os acontecimentos de setembro e outubro do mesmo ano constituíram sedição, visto que os condenados mobilizaram os cidadãos num “levantamento público e tumultuoso” para impedir a aplicação direta das leis e obstruir o cumprimento das decisões judiciais.

“Os acontecimentos do dia 1 de outubro [2017, dia em que foi realizado um referendo sobre a independência da Catalunha] não foram apenas uma manifestação ou um protesto. Foi um levantamento tumultuoso provocado pelos acusados”, referem os juízes do Supremo espanhol.

Nas últimas noites as manifestações na Catalunha, e sobretudo em Barcelona, ficaram marcadas por confrontos entre grupos violentos e as forças de segurança.

Pelo menos 100 pessoas foram detidas e quase 200 agentes da polícia ficaram feridos desde o início dos protestos.

(Última atualização às 22h44)

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