Há dois mil anos, uma festa na povoação de Richborough, na costa da cidade britânica de Kent, provavelmente incluía concursos de gladiadores, caça ou a eventual execução de um qualquer criminoso.

Tudo isto, num anfiteatro capaz de sentar até cinco mil pessoas, conta o jornal britânico ‘The Guardian’. Seria uma “ocasião especial, atraindo pessoas da cidade de Richborough e seus arredores”, explicou ao diário Paul Pattison, historiador de propriedades da English Heritage. “Eram espetáculos públicos, o equivalente a ir ver um grande filme ao cinema, nos nossos termos.”

Uma escavação nas últimas semanas desvendou esta janela para o passado lúdico destes romanos. E também a sua relação com os animais: entre as descobertas está o esqueleto de um gato, a que a equipa chamou Maxipus (um trocadilho entre o nome romano Maximus e a palavra inglesa para gatinho).

O esqueleto deste gato foi descoberto na zona habitacional da povoação e os especialistas acreditam tratar-se de um animal de estimação. Afinal, “normalmente esperamos encontrá-lo desmembrado por predadores, mas [o Maxipus] está quase completo, pelo que parece ter sido deliberadamente colocado num lugar onde não pudesse ser mexido”, disse Pattison ao ‘Guardian’.

É provável que as pessoas naquele tempo já tivessem animais, embora “não fossem tão sentimentais como nós somos com eles. Agora, se os tinham dentro de casa, é provavelmente discutível.”

Para além do gato, há outras descobertas que revelam um bocadinho da vida do passado, como um pequeno cárcere provavelmente usado para guardar animais selvagens ou mesmo pessoas, antes de serem lançados para a arena.

Uma escavação em 1849 já tinha revelado a existência do anfiteatro, mas os arqueólogos queria descobrir mais sobre o espaço. No processo, não só encontraram novos detalhes sobre os métodos e construção — e decoração — da estrutura, como moedas, peças de adorno pessoal, fragmentos de peças de barro e restos de ossos de animais cortados.

Tudo isto deixou a equipa de escavação “absolutamente excitada” com as descobertas, explicou Pattison. “Toda a gente está extremamente motivada e ansiosa para escavar todos os dias. É uma oportunidade única na vida para conhecer um sítio deste género.”

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