As duas vítimas, Gabriel Campos de 18 anos e Alexandra Porras de 19, morreram na madrugada de domingo enquanto limpavam a cozinha do restaurante no distrito de Pueblo Libre.

Os dois funcionários, que concluíram recentemente o Ensino Secundário, trabalhavam no turno da noite há seis meses naquele estabelecimento e estavam a juntar dinheiro para ir para a universidade.

Segundo a polícia, Alexandra Porras sofreu uma descarga elétrica enquanto manuseava uma máquina de refrigerantes e Gabriel Campos, ao tentar ajudá-la, também foi eletrocutado. Ambos já estavam mortos quando as ambulâncias chegaram ao local.

A empresa que gere o franchise McDonald’s no Peru, a Arcos Dorados, anunciou que ia proceder a uma investigação interna e emitiu também um comunicado onde transmitiu que ia dar dois dias de luto pela ocorrência, significando isso o fecho de todos os seus restaurantes no país durante esse período, apesar de manter os pagamentos aos funcionários.

A empresa disse ainda partilhar “a perda e a dor extrema das famílias afetadas” com quem tem mantido contacto para prestar apoio, assim como prometeu colaborar com as autoridades na investigação do caso.

Segundo o jornal britânico The Guardian, um representante legal da McDonald’s disse que a polícia tomou todas as procedências e que a empresa mostrou toda a disponibilidade, dando, inclusive, acesso aos locais do estabelecimento onde era necessário fazer investigações.

No entanto, tanto bombeiros como funcionários municipais queixaram-se aos media peruanos de que não lhes foi permitida entrada no restaurante quando foram chamadas ao local. O ministério público peruano, entretanto, também já abriu uma investigação.

As mortes levaram a protestos em frente ao restaurante durante o dia de ontem. Os protestantes consistiram maioritariamente em jovens indignados quanto àquilo que consideram ser um mercado de trabalho explorador, com regulações laborais fracas, baixos padrões de segurança e saúde no local de trabalho e baixos salários. De acordo com o instituto de estatística do país, 70% da força de trabalho do Peru trabalha em condições desreguladas.

Os familiares das vítimas já exigiram que as condições de trabalho sejam investigadas, sendo que a mãe de Alexandra Porras disse às televisões locais que a sua filha se tinha queixado que estava a fazer limpezas sem ter equipamento adequado e que tinha de trabalhar turnos de 12 horas.

A ministra do trabalho do Peru, Silvia Cáceres, já se pronunciou sobre o caso. “Se os direitos destes jovens foram violados, vamos proceder a sanções, se bem que o dinheiro não é importante porque a vida não tem preço”, disse aos jornalistas.

A agência Sunafil, autoridade para a segurança no trabalho no Peru, anunciou uma investigação de 30 dias para averiguar se a McDonald’s local era responsável pelos dois mortos. Caso tal se comprove, a empresa terá de pagar até 18.9000 sóis peruanos (perto de 50.590 euros) de multa.

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