O vencedor foi anunciado pelo presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, no Palácio de Seteais, em Sintra.

Miguel Bastos Araújo "é hoje internacionalmente reconhecido como uma das personalidades científicas mais criativas e influentes em biogeografia, macroecologia e modelação ecológica", disse, na cerimónia, Francisco Pinto Balsemão, sobre o investigador do Museu Nacional de Ciências Naturais, de Madrid, e docente na Universidade de Copenhaga.

"Numa altura em que, no plano político, económico e cultural, a nível global, se erguem tantas vozes e forças poderosas, criando obstáculos ao contributo das ciências para o estudo e a busca de soluções para os problemas fundamentais da sobrevivência humana, nomeadamente no que respeita à crise do ambiente e das alterações climáticas, a atribuição do Prémio Pessoa 2018 a Miguel Bastos Araújo constitui um sinal claro de que o conhecimento, a ciência com consciência e as políticas públicas nela inspiradas, são indispensáveis para alimentar a esperança num futuro sustentável", diz a ata do júri.

O júri foi ainda constituído por Emílio Rui Vilar (vice-presidente), Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Maria de Sousa, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.

Miguel Bastos Araújo, nascido em 1969, licenciou-se em Geografia, na Universidade Nova de Lisboa, em 1994, obteve o mestrado em Conservação na University College London, em 1996, tendo-se doutorado em Geografia na mesma universidade, em 2000.

"O seu trabalho tem particular repercussão nas áreas da biodiversidade e das alterações climáticas globais", vincou Pinto Balsemão, no discurso, em Seteais.

Nesse cruzamento temático "tão importante para o mundo contemporâneo, o seu trabalho tem contribuído para reforçar as bases científicas da política de ambiente, em particular desenvolvendo mecanismos de gestão e de redução da incerteza, no sentido de permitir uma melhor proteção da biodiversidade no quadro de mudanças profundas introduzido pelas alterações climáticas em curso", sublinhou o presidente do júri.

Para além da autoria de uma vasta bibliografia científica de mais de 200 títulos, que se encontram entre as publicações mais citadas na literatura académica, Miguel Bastos Araújo "tem-se distinguido também pelo contributo para a formação de novos investigadores e para o desenvolvimento de projetos científicos de grande relevo".

O júri destacou ainda, "pelo seu caráter exemplar, o facto de ter sido criada sob a sua direção na Universidade de Évora uma Cátedra de Biodiversidade Rui Nabeiro, um caso raro de mecenato científico em Portugal".

Miguel Bastos Araújo tem visto o seu mérito científico reconhecido através de importantes prémios internacionais, obtidos nos últimos cinco anos, entre eles, o Ebbe Nielsen Prize (2013), O Wolfson Research Merit Award (2014), o King James I Award (2016) e o Ernst Haeckel Prize (2019).

O Prémio Pessoa é concedido anualmente à pessoa de nacionalidade portuguesa que durante esse período e na sequência de uma atividade anterior tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país.

Júri considera que vencedor trata áreas científicas "de absoluto interesse público"

“Um grande cientista, com uma vasta obra muito referenciada, é dos mais citados autores portugueses na literatura científica. Há um mérito científico. As áreas científicas que trata são de absoluto interesse público”, disse Soromenho Marques aos jornalistas.

No entender de Viriato Soromenho Marques, Miguel Bastos Araújo trabalha as questões das alterações climáticas, da macroecologia “há muitos anos, e que se tornam críticas devido à situação” em que nos encontramos hoje, de falta de consenso internacional sobre os problemas das alterações climáticas.

Segundo este elemento do júri, Miguel Bastos Araújo, nascido em 1969, licenciado em Geografia, é um “investigador já maduro, embora jovem, muito reconhecido internacionalmente, que nunca deixou o país”, pelo que o prémio dará maior visibilidade ao percurso científico “que é invisível do grande público”.

O presidente do júri, Francisco Pinto Balsemão, disse aos jornalistas que o nome de Miguel Bastos Araújo foi proposto pelo público, por alguém exterior ao júri, e frisou que o prémio é atribuído a uma pessoa e não a uma causa, ainda que se tenha falado da urgência de discussão sobre o problema ambiental.

“Partimos de uma lista muito grande até chegarmos a um nome”, afirmou o presidente do júri, referindo que não foi unânime, mas consensual.

(Notícia atualizada às 13:07)

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