“Esta guerra não parece estar a terminar facilmente”, afirmou Akar num encontro com a imprensa em Ancara, citado pela agência noticiosa francesa AFP.

A Turquia, que é membro da NATO (sigla inglesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte), tem-se posicionado como um ator neutro e mediador no conflito entre os seus dois vizinhos no Mar Negro.

Ancara ajudou a alcançar um acordo com a ONU sobre a exportação de cereais ucranianos bloqueados nos portos do sul, acolheu um encontro entre os chefes diplomáticos russo e ucraniano, em março, e negociações entre os dois lados em Istambul.

“Não seria errado dizer que, apesar de toda a nossa boa vontade e apelos a um cessar-fogo, é provável que a guerra continue em 2023”, afirmou o ministro turco.

Embora reconhecendo as dificuldades para pôr termo à guerra desencadeada com a invasão russa da Ucrânia, Hulusi Akar pediu que o processo comece com um cessar-fogo humanitário.

“Apelamos para um cessar-fogo, pelo menos um cessar-fogo humanitário. Depois um cessar-fogo permanente e depois conversações de paz”, afirmou.

A Rússia bombardeou hoje a cidade de Kherson (sul) e matou oito civis e feriu 17, segundo as autoridades ucranianas.

A Rússia anunciou, em 30 de setembro, a anexação das regiões de Kherson, Zaporijia, Donetsk e Lugansk, depois de já ter incorporado, em 2014, a península ucraniana da Crimeia.

No caso de Donetsk e Lugansk, que constituem o Donbass, no leste da Ucrânia, forças separatistas apoiadas por Moscovo estavam em guerra com Kiev desde 2014.

Dias antes da invasão da Ucrânia, que lançou em 24 de fevereiro, a Rússia reconheceu a independência dos separatistas do Donbass e usou um pedido de auxílio das duas autoproclamadas repúblicas populares como uma das justificações para a operação militar.

Após a Rússia ter obtido sucessos militares numa fase inicial da invasão, as forças ucranianas lançaram uma contraofensiva nos últimos meses, depois de terem recebido armamento dos seus aliados ocidentais.

Em retaliação, a Rússia tem bombardeado as infraestruturas de energia da Ucrânia, um país que regista temperaturas muito baixas durante o inverno, estando a ser, por isso, acusada de usar o frio como arma de guerra contra civis.

Esta tática russa foi denunciada recentemente pela ONU, que alertou para o risco que correm milhões de civis na Ucrânia, bem como para a possibilidade de uma nova onda de refugiados na Europa.

Mais de 7,8 milhões de pessoas fugiram da guerra na Ucrânia para outros países europeus, havendo ainda 6,5 milhões de deslocados internos, segundo dados recentes das Nações Unidas.

Desconhece-se o número exato de baixas civis e militares em dez meses de guerra, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm admitido que será elevado.