Em Montalegre, concelho localizado a norte do distrito de Vila Real, o frio faz parte dos invernos e as gentes estão habituadas e preparadas para as temperaturas negativas que são esperadas por estes dias.

Durante o dia, o sol tem ajudado a derreter as rigorosas geadas que têm caído durante a noite e parece atrair algumas das poucas pessoas que vivem em Vilarinho de Negrões, aldeia junto à albufeira da Barragem do Alto Rabagão.

Uma idosa aproveita o sol da tarde encostada a uma parede e pouco depois junta lenha para se recolher dentro de casa. No entanto, os olhares são desconfiados para os estranhos que chegam à pequena localidade e só o vizinho João Alves, de 66 anos, aceitou falar à agência Lusa.

“Nunca vi frio maior do que este ano. Já tenho uma ‘idadezita’ e vejam lá”, afirmou.

João Alves traz vestido um grosso casado que faz questão de apertar. É assim que diz que aqui se protegem do frio, com roupa quente e lenha para a fogueira. É durante o verão e outono que se prepara a lenha para depois se utilizar no inverno.

“Nunca vi assim um frio como vai agora e se continuar os lavradores ainda vão sofrer”, insistiu João Alves, que disse ainda que, quando se levantou, “estava tudo branco como se fosse neve”. Cheio de pressa para ir ver a mulher que estava no hospital em Chaves, este popular referiu que “anda tudo doente”.

Na aldeia mais à frente, Carminda Flores de Moura, 65 anos, está a chegar à sua casa de turismo. Vem preparada com gorro, cachecol e botas próprias para a neve. “Esta é uma terra fria. Aqui o frio faz parte do ambiente. Nesta época sem frio não seria esta região e é normal existir frio. Não acho que esteja mais frio do que o normal”, disse à Lusa.

É por isso que as pessoas se preparam com várias camadas de roupa quente dos pés à cabeça e calçado apropriado. Em casa há uma lareira, aquecimento elétrico, as paredes e os vidros são duplos para não perder o calor. “Aqui é preciso saber conservar o calor das casas”, salientou.

Carminda Flores de Moura referiu ainda que por esta altura recebe turistas que “vêm atrás do frio”. “Pessoas que vêm aqui passar o fim de semana, vêm agasalhadas o suficiente e depois gostam deste ar frio. Este ar é frio mas não é húmido, combate-se bem com bom agasalho e bom equipamento”, frisou.

Oito a nove toneladas de sal já foram espalhados nas estradas

Uma das preocupações da Proteção Civil de Montalegre é manter as estradas transitáveis. A formação de gelo representa um perigo que é combatido através do sal que é espalhado ao início da noite e depois também de madrugada.

Miguel Monteiro, segundo comandante dos bombeiros de Montalegre, referiu que o dispositivo está montado e preparado. “Neste momento estamos a fazer uma passagem à noite, por volta das 21:00, 22:00 para quem queira ir para casa possa transitar em segurança”, sublinhou. Depois, por volta das 04:30, 05:00, os meios voltam a sair para garantir que os autocarros escolares para às aldeias buscar as crianças para as escolas.

Miguel Monteiro disse que já se estava à espera do frio. “Embora esteja prevista uma vaga de frio para quarta e quinta-feira é o tempo dele. Não tem nevado muito, mas as temperaturas têm estado nos três, quatro negativos durante a madrugada”, referiu.

Nestes quatro dias, já foram espalhadas cerca de oito a nove toneladas de sal pelas estradas. Segundo o responsável, estão preparadas mais 40 toneladas de reserva.

As temperaturas vão descer entre quatro e nove graus Celsius a partir de quarta-feira em Portugal continental, devido a uma massa de ar fria e seca.

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