"A minha mãe morreu esta manhã em casa. Ia fazer 90 anos no próximo dia 13 de julho", confirmou o filho de Simone Veil, Jean Veil.

A francesa Simone Veil foi uma líder política europeia e ativista dos direitos humanos que sobreviveu ao Holocausto nazi.

Simone Veil nasceu em 13 de julho de 1927 em Nice, sudeste de França, no seio de uma família judia e laica. Toda a sua família foi deportada em 1944 para campos de concentração: o seu pai e o seu irmão, Jean, para a Lituânia, uma das irmãs foi mandada para Ravensbruck, e ela, a sua mãe e uma segunda irmã foram deportadas para Auschwitz. Apenas as três irmãs sobreviveram.

Licenciada em direito, obteve o diploma do Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde conhece Antoine Veil, com quem casa, assim como um professor que se torna no seu mentor, Georges Pompidou.

Veil começa a sua carreira na magistratura em 1956 e durante nove anos dedica-se à melhoria das condições de vida dos reclusos.

A par da educação dos três filhos, faz da sua casa um local de tertúlia frequentado por gaulistas e centristas.

Duas vezes ministra da Saúde, primeiro de Jacques Chirac (1974-1976) e depois de Edouard Balladur (1993-1995), destacou-se pela da lei de legalização do aborto de 1975, que leva o seu nome (lei Veil), e pela proibição de fumar em locais públicos.

Em junho de 1979, Veil foi eleita presidente do Parlamento Europeu, função onde se manteve até 1982. Entre 1984 e 1989, liderou o Grupo Liberal e Democrático do Parlamento Europeu. "O facto de ter feito a Europa reconciliou-me com o século XX", disse um dia.

Simone Veil voltaria à política francesa em 1993 para assumir as funções de ministra de Estado e da Segurança Social, Saúde e Cidades. Em 1997, presidiu ao Conselho de Integração e no ano seguinte assumiu um lugar no Conselho Constitucional, onde se manteve até 2007, ano em que apareceu ao lado de Nicolas Sarkozy na sua corrida à presidência francesa.

De origem judaica e sobrevivente do campo de concentração nazi de Auschwitz, Veil foi ainda uma das fundadoras da Fundação da Memória da Shoah (genocídio de judeus pelos nazis, na II Guerra Mundial), a qual presidiu também até 2007.

Figura francesa e europeia de destaque, Simone Veil foi condecorada pelo Presidente da República Mário Soares, em 1993, com a Grã-cruz da Ordem do Infante, em reconhecimento pela amizade e solidariedade que a eurodeputada demonstrou relativamente a Portugal.

Em 2000, no âmbito das celebrações do Dia da Mulher, foi convidada por Jorge Sampaio para falar sobre as "Causas das Mulheres" numa cerimónia no Palácio da Ajuda.

Já em 2008, Lisboa acolheu a 13º cerimónia de entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa onde foram distinguidos o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e a antiga presidente do Parlamento Europeu, Simone Veil. O Prémio Norte-Sul do Conselho é atribuído a duas personalidades, uma do Norte e outra do Sul, que se destacaram na defesa dos direitos humanos e no estreitamento das relações Norte-Sul.

 Ferro Rodrigues envia condolências e lembra "mulher de ação" 

O presidente da Assembleia da República enviou hoje condolências pela morte de Simone Veil ao seu homólogo francês e ao embaixador de França em Portugal, recordando-a pela "defesa de uma sociedade mais justa".

Na mensagem também divulgada no ‘site’ da Assembleia da República, Ferro Rodrigues manifesta o seu pesar pelo falecimento da antiga presidente do Parlamento Europeu.

"Simone Veil ilustrou-se pela dignidade e pela defesa de uma sociedade mais justa. Das sombras dos horrores de Auschwitz e de Bergen-Belsen ergueu-se na luta pela igualdade de direitos das mulheres, na defesa dos direitos humanos, e no combate ao antissemitismo", sublinha o presidente da Assembleia da República.

Ferro Rodrigues lembra Simone Veil como "mulher de ação" e com "um legado duradouro, como ministra (da Saúde, dos Assuntos Sociais e do Ordenamento), como a primeira Presidente do Parlamento Europeu, como deputada ao Parlamento Europeu, como intelectual e como cidadã".

"Em 2008, a Assembleia da República teve a honra de a acolher na Cerimónia de Entrega do Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa, com que muito justamente foi galardoada", recorda ainda Ferro Rodrigues.

O presidente Eduardo Ferro Rodrigues apresentou as condolências da Assembleia da República ao presidente da Assembleia Nacional francesa, François de Rugy, e ao embaixador de França em Lisboa, Jean-Michel Casa.

(Notícia atualizada às 12h58)

 

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