António Costa foi questionado na conferência de imprensa do Conselho de Ministros se a crise dos últimos dias relacionada com a transferência de 850 milões de euros para o Novo Banco estava mesmo ultrapassada e até quando poderia garantir a permanência de Mário Centeno no Governo.

"Como o senhor ministro das Finanças disse, não há crise, está tudo ultrapassado", disse, apenas, considerando esta a resposta "mais fácil de todas".

A uma nova pergunta sobre se o ministro das Finanças estaria a prazo no Governo, Costa afirmou apenas que "a estabilidade está restabelecida", e mais à frente voltaria a desvalorizar o tema.

"Não há crise, nem mini-crise, nem nano-crise, tudo segue normalmente. [Crise] Política, infelizmente temos uma crise de saúde pública muito grave e uma crise social e económica muito grave, e é nessas que temos de nos concentrar e dar respostas", ressalvou.

Questionado sobre notícias que referem uma "perplexidade" do Presidente da República em relação a todo este processo, o primeiro-ministro frisou que tem o hábito de não falar publicamente de conversas com Marcelo Rebelo de Sousa e não irá alterá-lo.

Finalmente, instado a dizer se, ao colocar no comunicado de quarta-feira à noite a referência a várias auditorias a que foi sujeito o Novo Banco, estava a dar razão ao ministro das Finanças e admitir que o erro foi seu, Costa riu-se, mas encerrou o assunto.

"Esse é um tema que já foi dado como encerrado por mim nesse comunicado, o ministro das Finanças também já explicou que não há crise nenhuma. Portanto, não vale a pena perdermos mais tempo com um assunto que é um não assunto", disse.

Na quarta-feira à noite, e depois de uma reunião entre António Costa e Mário Centeno em São Bento, o primeiro-ministro reafirmou publicamente a sua confiança pessoal e política no ministro de Estado e das Finanças.

De acordo com o comunicado divulgado pelo gabinete de António Costa, na reunião ficaram "esclarecidas as questões relativas à falha de informação atempada ao primeiro-ministro sobre a concretização do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução, que já estava previsto no Orçamento de Estado para 2020, que o Governo propôs e a Assembleia da República aprovou".

Na semana passada, na Assembleia da República, durante o debate quinzenal, António Costa disse à coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, que não haveria transferências para o fundo de resolução, tendo em vista a recapitalização do Novo Banco, até que a auditoria àquela instituição bancária estivesse concluída.

No dia seguinte, sexta-feira, no Porto, António Costa afirmou aos jornalistas que o Ministério das Finanças não o informara de que essa transferência tinha sido efetuada na véspera, o que o levou a pedir desculpas à coordenadora do Bloco de Esquerda pela informação errada que lhe tinha transmitido.

Perante este caso, em entrevista à TSF na terça-feira, o ministro de Estado e das Finanças assumiu que houve uma falha de comunicação no Governo.

Já na quarta-feira de manhã, Mário Centeno declarou que a transferência de 850 milhões de euros para o Fundo de Resolução destinado à recapitalização do Novo Banco não foi feita à revelia do primeiro-ministro.

"Não, não foi à revelia, não há nenhuma decisão do Governo que não passe por uma decisão conjunta do Conselho de Ministros", disse o ministro de Estado e das Finanças, numa audição regimental da Comissão de Orçamento e Finanças (COF) do parlamento.

Também na quarta-feira de manhã, no final de uma visita à Autoeuropa, em Palmela, o Presidente da República considerou que o primeiro-ministro "esteve muito bem" ao remeter nova transferência para o Novo Banco para depois de se conhecerem as conclusões da auditoria que abrange o período 2000-2018.

"Havendo, e bem, uma auditoria cobrindo o período até 2018 - a auditoria que eu tinha pedido há um ano - faz todo o sentido o que disse o senhor primeiro-ministro no parlamento. É que é politicamente diferente o Estado assumir responsabilidades dias antes de se conhecer as conclusões de uma auditoria, ou a auditoria ser concluída dias antes de o Estado assumir responsabilidades", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

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